O Hospital de São Francisco Xavier apenas dará resposta ao INEM em caso de emergência para o serviço de obstetrícia.
O bastonário da Ordem dos Médicos alertou esta quinta-feira que a urgência de obstetrícia do Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, deverá permanecer encerrada durante todo o mês de agosto, assegurando apenas resposta emergente quando acionada pelo INEM.
Hospital São Francisco XavierLusa
"A informação que nos foi dada hoje de manhã é que o São Francisco Xavier irá estar de portas fechadas durante todo o mês de agosto", disse Carlos Cortes, que falava aos jornalistas no final de uma visita à Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Almada.
Segundo o bastonário, a única resposta que o serviço de obstetrícia daquele hospital da Unidade Local de Saúde Lisboa Ocidental dará será uma resposta de emergência, "ao INEM, quando isso for necessário".
Sobre o funcionamento da urgência de obstetrícia do Hospital Garcia de Orta, em Almada, Carlos Cortes reconheceu que existe uma "sobrecarga e uma grande pressão devido à concentração de utentes provenientes de outras maternidades com constrangimentos", mas afirmou-se convicto de que os profissionais daquele hospital "vão continuar a dar resposta", embora sujeitos a um "esforço enorme, com turnos atrás de turnos".
Carlos Cortes alertou, contudo, para a "carência muito grave de anestesistas" naquele hospital da margem sul do Tejo, lembrando que o funcionamento das maternidades não depende apenas de obstetras e neonatalogistas, mas também de médicos anestesistas.
"É uma mensagem para a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde, para se preocupar com essa situação", afirmou.
Carlos Cortes anunciou que irá reunir-se em breve com o conselho de administração do Garcia de Orta para procurar soluções, face à falta de médicos anestesistas.
Na visita à UCSP de Almada, o bastonário fez ainda um balanço positivo da situação dos cuidados de saúde primários na Unidade Local de Saúde (ULS) Almada-Seixal, salientando que o número de doentes sem médico de família naquela unidade tem vindo a diminuir, apesar de ainda haver 55 mil utentes sem médico de família num universo de 380 mil utentes do Seixal e de Almada.
"O objetivo seria todos os utentes terem médico de família, mas reconhecemos que houve aqui um esforço muito importante na contratação de médicos", afirmou, destacando ainda a importância da deslocação de especialistas hospitalares aos centros de saúde para realização de consultas.
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