Quando tudo corre mal com as medicinas alternativas

Quando tudo corre mal com as medicinas alternativas
Lucília Galha 07 de fevereiro de 2020

Vera teve de usar fraldas porque deixou os tratamentos e a mãe de Diana morreu com um cancro porque perdeu um ano em sessões de biomagnetismo. Já S. quase ficou paraplégica por causa das idas ao osteopata. Não há provas de que as terapêuticas não convencionais tenham benefícios significativos ou que sirvam para tratar doenças. Pelo contrário: está confirmado que têm riscos e podem mesmo fazer mal à saúde.

Há algum tempo que aquelas sessões tinham deixado de lhe aliviar as dores. Nos últimos meses, S. tinha mesmo aumentado a frequência das massagens - para uma vez por semana - porque estava cada vez pior. Até ao dia em que depois de estar com o terapeuta deixou de sentir as pernas e de conseguir andar. Resultado: teve de ser operada de urgência. Na verdade, as visitas ao osteopata quase a deixaram paraplégica.

S., de 42 anos, nunca se conformou com o diagnóstico que recebeu há sete anos. Trabalhava num armazém a transportar caixas numa empilhadora quando começou a sentir uma dor na perna direita. Era tão forte que não a conseguia esticar. "Mesmo de pé, tinha de ter a perna fletida", recorda a prima, Sara, que contou a história à SÁBADO. Na altura atribuiu a lesão ao trabalho. Contudo, quando foi ao hospital disseram-lhe que tinha uma hérnia e que teria de deixar de fazer esforços para não sobrecarregar a coluna. "Ela não quis parar, manteve o trabalho e procurou um osteopata", recorda a familiar.

De início, S. sentiu-se melhor. A dor desapareceu com as sessões. "Avisei-a de que aquilo era uma máscara, que as manipulações do osteopata estavam só a disfarçar os sintomas e que iria piorar, mas ela não me ouviu", conta Sara. S. passou um ano a ir ao osteopata, mas as melhorias foram passageiras. Até àquele dia em que deixou de sentir as pernas. Nunca atribuiu o que a aconteceu àquelas intervenções mas, se não tivesse ido naquele momento para o hospital, talvez a situação já não fosse reversível. "O osteopata não lhe deu tempo, provavelmente até lho tirou", acredita a familiar. Depois de operada à coluna, recuperou a mobilidade.

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