Pessoas com visões extremistas são menos capazes de tarefas mentais complexas

Pessoas com visões extremistas são menos capazes de tarefas mentais complexas
SÁBADO 22 de fevereiro
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Investigação da Universidade de Cambridge indica ainda que estas pessoas veem o mundo a preto e branco têm mais dificuldade em gerir as suas emoções. Pistas podem ajudar a identificar quem está em risco de radicalização.

Uma investigação da Universidade de Cambridge revela que pessoas com ideias extremistas têm tendência para ter um pior desempenho em tarefas mentais complexas. A investigação partiu de anteriores estudos e incluiu mais de 330 participantes, residentes nos EUA, com idades entre os 22 e os 63 anos. Estes participantes foram submetidos a 37 tarefas neuropsicológicas e 22 testes de personalidade, ao longo de duas semanas.

O objetivo era perceber as diferenças como a forma como a informação é percebida e processada influencia as visões do mundo a nível político, nacionalista ou crenças dogmáticas. Para lá dos tradicionais fatores demográficos como a idade, raça ou género.

Os testes foram construídos para serem neutros, não emocionais ou políticos. Incluiam, por exemplo, exercícios de memorização de imagens. Depois um modelo computacional permitiu analisar a perceção e aprendizagem dos participantes, bem como a sua capacidade de se envolverem em tarefas complexas de estratégia mental.

Os resultados, publicados no jornal Philosophical Transactions of the Royal Society B, mostram que as atitudes ideológicas espelham o processo cognitivo de tomada de decisões. Um dos resultados principais é de que as pessoas com visões extremistas têm tendência a ver o mundo a preto e branco e maior dificuldade em executar tarefas de pensamento complexas, indicou ao The Guardian a coordenadora do estudo e membro do departamento de psicologia da Universidade de Cambridge, Leor Zmigrod.

Outra característica dos elementos mais extremistas é que parecem não ser muito bons a gerir emoções, ou seja, são mais impulsivos e tendem a evocar experiências emotivas. "Isso ajuda-nos a perceber que tipo de pessoas podem estar dispostas a cometer violência contra pessoas inocentes", acrescenta a coordenadora do estudo.

Um dos exemplos do estudo é que quando se pedia para responderem o mais rapidamente possível, as pessoas com um pensamento mais conservador demoravam mais a dar uma resposta do que as mais liberais. "É fascinante, porque o conservadorismo é praticamente um sinónimo de cautela."

A "assinatura psicológica" para o extremismo acabou por ser uma mistura entre psicologias conservadoras e dogmáticas, defendeu Leor Zmigrod.
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