NEWSLETTER EXCLUSIVA PARA ASSINANTES Novidades com vantagens exclusivas: descontos e ofertas em produtos e serviços; divulgação de conteúdos exclusivos e comunicação de novas funcionalidades. (Enviada mensalmente)
NEWSLETTER EXCLUSIVA PARA ASSINANTES Novidades com vantagens exclusivas: descontos e ofertas em produtos e serviços; divulgação de conteúdos exclusivos e comunicação de novas funcionalidades. (Enviada mensalmente)
Uma mãe que já tinha sido submetida a duas cesarianas deu à luz em casa, mas o parto correu mal e o bebé acabou por morrer no hospital. À SÁBADO especialistas garantem que o parto no domicílio é seguro, mas quando acompanhado por especialistas, e apontam para cuidados a ter em conta.
Uma doula deu recentemente à luz em casa, mas tendo o parto corrido mal a mulher teve de ser transferida de urgência para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa - onde mais tarde o recém-nascido viria a morrer. A mãe já tinha sido submetida a duas cesarianas e sendo, por isso, considerada uma “grávida de risco (…) tinha uma indução marcada”, mas “faltou”. À SÁBADO, a vice-presidente da Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras (APEO), apontou que, tendo já esta mulher passado por cesarianas, corria o risco de sofrer uma “rutura uterina”, ou seja, uma abertura do útero na zona da cicatriz. Ao criticar o tipo de apreciações negativas que esta doula tem recebido, recorda que mesmo que tivesse sido submetida a uma indução que o cenário poderia ter, na mesma, terminado mal.
Número de grávidas que têm o parto em casa está a aumentarAnnette Riedl/picture-alliance/dpa/AP Images
“Era um parto de risco porque podia ter ocorrido uma rutura uterina e isso poderia comprometer a vida dela e do bebé. No hospital, recomendaram uma indução, mas também isso tem riscos”, defendeu Isabel Ferreira.
Foi em torno deste caso que começaram a surgir várias questões: será o parto em casa uma escolha segura? Sobre isto, a doula Catarina Pardal esclarece: “Todos os estudos apontam para isso.”
Isabel Ferreira detalha, contudo, que o parto no domicílio só é seguro quando acompanhado pelos devidos especialistas e deixou alertas para a “clandestinidade” que tem vindo a aumentar neste setor. “Tem havido um aumento no número de denúncias que a associação recebe. Basicamente, há pessoas a fazerem-se passar por parteiras ou enfermeiros obstetras que não têm certificação em Portugal”, denuncia. “Enquanto associação não podemos fazer nada se não encaminhar as denúncias para a Ordem dos Enfermeiros ou para o Ministério Público.”
Segundo a vice-presidente da APEO, este é um cenário que se tem vindo a alastrar cada vez mais, também devido à influência que as redes sociais têm hoje em dia. Ou seja, é através destas plataformas que as mães contactam parteiras que não têm nenhum certificado nem estão inscritas na Ordem dos Enfermeiros. “Agora nota-se muito, por causa das redes sociais, que [estas parteiras] cresceram muito no nosso País", sendo que muitas das parteiras não certificadas vêm de fora do País.
Isabel Ferreira aconselha, por isso, as famílias a pedirem inicialmente o “cartão da Ordem [dos Enfermeiros] ou um certificado” em caso de optarem por um parto no domicílio.
Maioria dos partos em casa são bem-sucedidos
Apesar da existência desta clandestinidade, os partos parecem ser, na maioria das vezes, bem-sucedidos. Dados da APEO enviados à SÁBADO, revelam que a esmagadora maioria dos bebés nasceu bem e que foi apenas registado um caso de morte fetal (0,08%), desde 2018. Quanto à taxa global de transferência hospitalar, esta foi de 18,39%.
“Nunca assisti a nenhuma transferência para o hospital por causa do bebé, mas já houve transferência para o hospital a pedido da mãe e também já assisti a uma transferência porque a mãe estava como uma hemorragia”, recorda a doula Catarina Pardal.
Apesar da maioria dos partos correr “bem”, Isabel Ferreira afirma que devia haver um “acesso mais facilitado” das mães ao sistema de saúde. “Devia haver uma linha direta. As famílias não deveriam ter de ligar para o 112.”
Partos em casa estão a ter “mais procura do que oferta”
Os partos no domicílio estão a aumentar tanto que “há mais procura do que oferta”. Segundo Catarina Pardal, “isto intensificou-se muito com o Covid” e acontece porque uma “maioria teve uma má experiência no hospital”.
Também “já há muitas mães de primeiro filho, que nunca tiveram esta experiência em hospital, a ter o parto em casa”, segundo a doula, isto porque as mulheres querem hoje “fugir do hospital porque não se sentem ouvidas e respeitadas”. Segundo Isabel Ferreira, isto também acontece porque algumas preferem estar em “contexto familiar”.
Apesar de Catarina Pardal não recomendar o parto em casa, pede, juntamente com Isabel Ferreira, que as mães que recorram a esta escolha tenham uma gravidez saudável e que a distância do local do parto a um hospital não seja superior a 30 minutos.
Quais os riscos associados ao parto em casa?
Em declarações à SÁBADO, a Ordem dos Enfermeiros refere que, à semelhança da Ordem dos Médicos ou do Ministério da Saúde, não tem "uma posição sobre o parto planeado em casa", mas garante que "os riscos inerentes a um parto em casa são os mesmos que existem nos partos em outros contextos". "A principal preocupação em casa é a falta de cuidados diferenciados e imediatos à mãe e ao bebé, em caso de complicações inesperadas." Apesar de parte dos casos acabar em transferências hospitalares, a Ordem garante que os "serviços de urgência estão preparados para receber qualquer situação de emergência".
A Ordem defende ainda "a criação de centros de parto normal, enquanto espaços para assistência a gravidez de baixo risco em trabalho de parto". "Estes espaços funcionariam dentro das atuais salas de parto com características próprias para favorecerem o parto fisiológico, com um ambiente que se aproxima mais ao ambiente 'familiar'". Segundo a Ordem, é uma "solução já adotada em inúmero países para assegurar uma assistência de qualidade e segurança durante o parto, num ambiente clínico controlado, com acesso a cuidados diferenciados e profissionais responsáveis".
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Para poder votar newste inquérito deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.