Os grandes mitos sobre o cancro

Maria Espírito Santo 29 de setembro de 2018

Da prevenção da agricultura biológica aos malefícios do telemóvel, pedimos ajuda a especialistas para entender algumas ideias associadas à doença.

Nos anos 70, quando começou a trabalhar, António Parreira, hoje director clínico da Fundação Champalimaud, tinha doentes relativamente silenciosos. "Era muito frequente os doentes chegarem às consultas e não fazerem perguntas mesmo quando confrontados com uma doença grave, potencialmente maligna." Hoje o cenário é bem diferente: há quem traga documentos impressos de estudos e tratamentos. A população está mais atenta - também no tema do cancro -, mas isso não quer dizer que não existam ideias erradas, tanto no que toca às causas como às formas de tratamento. Há mitos a desconstruir.

Com a Internet e os canais de informação que se multiplicam, há mais informação correcta a circular mas também incorrecta: este ano a World Cancer Research Fund chegou à conclusão de que metade dos britânicos pensa que o stress é uma causa do desenvolvimento do cancro - enquanto que mais de metade (51%) não sabe que as carnes processadas representam um risco (duas noções incorrectas).

Mas a ideia errada mais presente entre a população não está propriamente relacionada com produtos ou práticas que provoquem ou previnam o cancro: está relacionada com a própria natureza da doença, explica António Parreira. Há cancros que está provado terem uma origem concreta - o cancro do pulmão muitas vezes surge pelo hábito de fumar e o da pele pela exposição negligente aos raios ultravioleta - mas são excepções. "Há com frequência a ideia de que o cancro ou tem origem hereditária ou é causado por algo, mas isto não é verdade. A vasta maioria dos cancros que afligem a espécie humana, provavelmente 70% ou mais, são obra do acaso", explica à SÁBADO.

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