Cientistas descobriram que a molécula pTOS atua na região do cérebro que regula o apetite. Ratos que receberam a molécula viram uma redução no apetite e perderam 9% do peso corporal.
As pítons seguem uma dieta extremamente restritiva: são capazes de engolir um antílope passando depois meses sem comer. Um grupo de cientistas identificou uma molécula no sangue destes répteis que pode ser crucial no combate à obesidade e que pode abrir caminho para a criação de novos medicamentos para a redução do apetite.
Molécula encontrada no sangue de pítons pode revolucionar tratamentos contra obesidadeAgência
Um estudo, publicado na revista científica Nature Metabolism, mostrou que quando os metabólitos (moléculas essenciais ao metabolismo) da píton foram administrados em ratos obesos estes passaram a rejeitar a comida e perderam peso rapidamente, abrindo a possibilidade para o mesmo ocorrer em humanos que sejam sujeitos à mesma molécula. Caso o estudo comprove que este ativo tem o mesmo resultado em humanos que teve nos ratinhos de laboratório, pode abrir-se a porta para novos medicamentos para perda de peso.
"Talvez ao estudar esses animais possamos identificar moléculas ou vias metabólicas que também afetam o metabolismo humano", sugeriu Jonathan Long, professor associado de patologia da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, citado pelo jornal The Guardian.
As pítons birmanesas podem atingir os cinco metros de comprimento e quase 100 quilos de peso. Na natureza, consomem presas que podem chegar ao dobro do seu peso corporal e nas horas seguintes o seu coração expande cerca de 25% e o metabolismo acelera cerca de quatro mil vezes para ajudar na digestão. Depois disso, são capazes de ficar entre 12 a 18 meses sem comer.
Inicialmente, os cientistas pretendiam estudar os metabólitos envolvidos no crescimento repentino do coração das serpentes após a ingestão de alimentos. Para isso, analisaram o sangue das pítons birmanesas jovens, que pesavam entre 1,5 quilos e 2,5 quilos, antes e depois de uma refeição correspondente a cerca de 25% do seu peso corporal. As serpentes foram capazes de ficar em jejum durante 28 dias.
Nesse estudo, os cientistas identificaram mais de 200 moléculas que aumentaram significativamente no sangue poucas horas após a alimentação: uma delas apresentou um aumento 1.000 vezes superior.
Essa molécula, a pTOS, é produzida pelas bactérias intestinais da cobra e também é conhecida por estar presente, em baixos níveis, na urina humana. Quando administrada a ratinhos de laboratório não houve efeitos óbvios no gasto energético ou no tamanho dos órgãos. "O que regulou foi o apetite e o comportamento alimentar dos ratinhos", explicou Long. No entanto, os roedores obesos que receberam esta molécula acabaram por comer significativamente menos e 28 dias depois perderam 9% do peso corporal.
Esta molécula parece funcionar de maneira diferente dos medicamentos GLP-1, como o Ozempic ou o Wegovy que estão atualmente no mercado, que regulam a glicemia e retardar o esvaziamento gástrico - o que faz com que as pessoas se sintam saciadas por mais tempo. Ao invés disso, o pTOS parece agir no hipotálamo - uma região do cérebro - que é conhecida por regular o apetite.
"Basicamente, descobrimos um supressor de apetite que funciona em ratos sem alguns dos efeitos colaterais dos medicamentos GLP-1", esclareceu Leslie Leinwand, professora e bióloga da Universidade do Colorado, ao acrescentar que, ainda assim, são necessários mais estudos antes que as descobertas possam ser aplicadas clinicamente.
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