É alérgico? Pode ser impedido de voar

Maria Espírito Santo 02 de abril de 2017

Limpam os lugares com toalhitas, levam injecções, alguns nem chegam a descolar - é a sina dos passageiros com alergias

Primeiro sentiu comichão e dor na cara, depois os lábios ficaram gretados. Seguiu-se a dificuldade em respirar e o choque anafiláctico. A centenas de metros de altitude, em pleno voo, foi uma injecção de epinefrina que ajudou Fae, de 4 anos, a recuperar da reacção alérgica desencadeada por outro passageiro, que abrira uma embalagem de frutos secos.

Aconteceu em 2014 num avião da Ryanair, apesar de a tripulação ter avisado que ali viajava uma criança com alergia grave a este tipo de alimentos. Incidentes com passageiros alérgicos a frutos de casca rija não são invulgares: na manhã do último dia de Natal, uma família foi convidada a sair de um avião da American Airlines com destino às Ilhas Turcas e Caicos, nas Caraíbas, para onde ia de férias. Tudo porque a mãe avisou, na porta de embarque, que os dois filhos adolescentes tinham uma grave alergia a frutos secos. Apesar de transportarem medicação e a sua própria comida, foram expulsos. A companhia explicou que a opção foi do piloto, que queria evitar aterrar de emergência, e defende que não pode criar zonas interditas a certos alimentos nem permitir embarque prioritário a alérgicos - isso, diz, criaria uma sensação de falsa segurança. Afinal, as pessoas podem limpar os seus assentos com toalhitas desinfectantes, mas as partículas dos frutos persistirem.

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