Testámos o carro de dois metros

Testámos o carro de dois metros
Markus Almeida 10 de outubro

Ocupa meio lugar de estacionamento, tem autonomia para 70 km e demora três horas a carregar. Relato de uma manhã ao volante de um carro que não passa dos 45 km/h.

De dentro do SUV parado ao meu lado no semáforo olham para mim com espanto, curiosidade e o que me parece ser um certo ar de superioridade. Desconhecem o carro em que eu estou. Sabem apenas que é pequeno e pensarão que não deve andar nadinha. Já eu, que estou há hora e meia a experimentar em Lisboa o novíssimo – em todos os sentidos – Citroën AMI 100% elétrico, sei bem o que tenho em mãos. O semáforo muda, piso o acelerador a fundo e, por meio segundo, oiço até os pneus a rasgar o alcatrão.

O SUV nunca teve hipótese, não nos primeiros 10 metros a seguir ao semáforo. O arranque pujante é enganador: parece que vai ser sempre assim, a ganhar velocidade e a galgar terreno, mas rapidamente entra em ação o limitador automático que não o permite passar dos 45 km/ h e outro limitador que são os seis cavalos de potência. Tenho então um choque frontal com a realidade e sou ultrapassado. Ainda assim, em des- cidas, auxiliado pela força da gravidade, chego a atingir a estonteante velocidade de 46 km/h.

Está tudo bem. O AMI não é um carro para se andar a abrir. Em boa verdade, nem sequer é um carro. Falando em termos legais, trata-se de um quadriciclo ligeiro da categoria L6e, o que significa que pode ser conduzido a partir dos 16 anos, desde que o adolescente em questão seja detentor da carta de condução B1 (a que serve para conduzir microcarros como este e Motos 4).

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