Quantos morreram na Guerra Colonial?

Luís Francisco 10 de outubro

Foram 10 mil militares portugueses a perder a vida no conflito que durou 13 anos. O tenente-coronel Pedro Marquês de Sousa reúne em livro os números do Ultramar.

Sempre que ouvia a estimativa de 8.000 mortes portuguesas na Guerra do Ultramar, Pedro Marquês de Sousa, tenente-coronel do Exército, sentia-se desconfortável. Quase cinco décadas após o fim do período colonialista, Portugal continuava a não ter, sequer, um balanço fiável das vítimas mortais do conflito que desgastou o País durante mais de uma década e esteve, em última análise, na origem do movimento militar que depôs o regime do Estado Novo, em 1974. Depois de muito trabalho de investigação, o investigador e também professor na Academia Militar chegou a números bem mais pesados: morreram quase 10.500 militares portugueses em Angola, Guiné e Moçambique.

No total, incluindo as baixas dos movimentos independentistas e entre a população civil, a guerra em África fez quase 45 mil mortos e 53 mil feridos. "E podem ser mais", assegura o autor do livro Os Números da Guerra de África, publicado pela Guerra & Paz. Uma obra que compila de forma exaustiva números durante tanto tempo esquecidos ou varridos para debaixo do tapete da burocracia. "Enquanto professor na Academia Militar, sempre incentivei os meus alunos a debruçarem-se sobre a Guerra Colonial. Eu próprio senti a necessidade de mergulhar no assunto. A estimativa de 8.000 mortes era injusta; não cobria, sequer, as baixas militares portuguesas, muito menos as perdas entre os movimentos independentistas e na população civil."

Pelas contas de Pedro Marquês de Sousa morreram 10.425 militares portugueses, 6.000 civis e 28.226 elementos dos movimentos separatistas. As estimativas de feridos graves apontam para 31.300 na tropa lusitana, 12.200 entre os civis e 9.450 nos movimentos de libertação.

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