É um dos principais árbitros de futebol africanos e preparava-se para se tornar no primeiro somali a arbitrar o Mundial. Esta semana, quando se preparava para viajar para os EUA, teve a sua entrada impedida.
Omar Abdulkadir Artan, um dos principais árbitros de futebol de África, vai falhar o Mundial de 2026 depois de ter tido a sua entrada nos Estados Unidos negada, informou na segunda-feira a FIFA. Foi barrado no Aeroporto Internacional de Miami e encontra-se atualmente na Turquia.
Árbitro Omar Artan impedido de entrar nos Estados UnidosAP/Mosa'ab Elshamy,
As autoridades de imigração dos Estados Unidos não divulgaram nenhum motivo para repatriar o árbtiro, mas sabe-se que a Somália é um dos vários países que está incluído na lista de restrições de viagens imposta pelo governo, como forma de os EUA "protegerem a nação de ameaças terroristas estrangeiras".
"A FIFA não está envolvida nos processos de imigração do país anfitrião, incluindo na análise de vistos, e foi informada pelas autoridades de que o visto do senhor Artan não será alterado neste momento. Assim, como em eventos anteriores da FIFA, o governo anfitrião é quem determina, em última instância, quem recebe o visto e quem tem entrada no país", esclareceu o órgão.
Artan, que estava prestes a tornar-se no primeiro árbitro somali a arbitrar o Mundial agradeceu, no entanto, à FIFA e à CAF pelo apoio e, em comunicado, afirmou que, apesar das circunstâncias está otimista. "Prometo manter o meu nível de arbitragem elevado enquanto me concentro no futuro", disse à agência de notícias Reuters. "Quero agradecer à família do futebol pelas mensagens e desejar aos meus colegas todo o sucesso durante o Campeonato do Mundo. Espero poder estar com eles novamente em futuras competições."
Quem é Omar Artan?
Omar Artan, de 34 anos, nasceu na Somália e cresceu no meio da instabilidade e das oportunidades desportivas limitadas. É somali e muçulmano e, segundo o jornal O Globo durante o período da guerra civil (que começou em 1991) viveu sempre na capital, Mogadíscio.
Omar começou a sua carreira nas ligas somalis, mas progrediu até ser incluído na lista de árbitros internacionais da FIFA, em 2018, segundo o portal de notícias somali Hiiraan Online. Em 2024, ganhou destaque ao ter arbitrado na Costa do Marfim a derrota da Tunísia com a Namíbia e a vitória da Mauritrânia sobre a Argélia, durante o Campeonato Africano das Nações (AFCON).
A 1 de junho de 2025, Artan tornou-se o primeiro árbitro somali a comandar a final de clubes de futebol do continente. Arbitrou a final da Liga dos Campeões da CAF entre o Pyramids FC do Egito e o Mamelodi Sundowns da África do Sul, no Cairo.
Mais tarde, nesse mesmo ano, a CAF nomeou-o Árbitro Africano do Ano. Agora estava prestes a tornar-se no primeiro árbitro somali a comandar o Mundial.
Nas redes sociais, Omar critica por diversas vezes as situações políticas no país. Na semana passado criticou, por exemplo, uma operação de segurança que decorreu no seu país contra o grupo terrorista al-Shabaab - afiliado da Al Qaeda.
"Os políticos agradecem e desfrutam das lágrimas e da deceção dos jovens somalis que amam o seu país", escreveu na sua conta de Instagram.
Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, proibiu a entrada de pessoas oriundas de 12 países: Somália, Afeganistão, Mianmar, Chade, República do Congo, Guiné Equatorial, Eritreia, Haiti, Irão, Líbia, Sudão e Iémen. Além disso, impôs também restrições parciais a cidadãos do Burundi, Cuba, Laos, Serra Leoa, Togo, Turquemenistão e Venezuela.
Trump justificou a sua decisão ao citar o ataque que ocorreu em Boulder, no Colorado, contra um grupo que defendia a libertação de reféns israelitas mantidos pelo Hamas. Considerou que é uma forma de "proteger a nação de ameaças terroristas estrangeiras".
"O recente ataque terrorista em Boulder, Colorado, ressaltou os perigos extremos que o nosso país enfrenta com a entrada de estrangeiros sem a devida verificação, bem como daqueles que vêm como visitantes temporários e permanecem no país após o vencimento dos vistos. Nós não os queremos aqui", disse o presidente republicano num vídeo, afirmando ainda que "todos os somali são bandidos".
Especificamente sobre a Somália, a Casa Branca afirmou: "A Somália destaca-se de outros países no grau em que o seu governo carece de comando e controle sobre o seu território. O governo dos EUA identificou a Somália como um refúgio seguro para terroristas".
Quanto a isso, o embaixador da Somália nos EUA, Dahir Hassan Abdi, respondeu: "A Somália valoriza o seu relacionamento de longa data com os Estados Unidos e está pronta para dialogar a fim de abordar as preocupações levantadas."
O Campeonato do Mundo acontece de 11 de junho a 19 de julho.
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