Mulheres portuguesas ao poder

Mulheres portuguesas ao poder
Vanda Marques 24 de outubro de 2018

O que têm em comum Beatriz Ângelo, Paula Rego, Ana Salazar e a Ferreirinha? São Portuguesas com M Grande


"O barulho era ensurdecedor e Luísa não conseguia parar de chorar, de tão assustada que estava. Pensava que o mundo ia acabar e que as paredes, que tremiam com brados, lhe cairiam em cima. Durante o nefasto terramoto de Lisboa em 1755, Luísa, com apenas dois anos de idade, teve a sorte de sobreviver graças a um forno de cozer pão, onde se refugiou durante os infindáveis minutos do incidente. Sorte dela e dos seus contemporâenos, que puderam desfrutar da belíssima voz, mezzo soprano, desta cantora." Sabe quem é esta mulher? Falamos de Luísa Todi, uma das 42 mulheres portuguesas, descritas no livro de Lúcia Vicente, com ilustrações de Cátia Vidinhas. Portuguesas com M Grande, da editora Nuvem de Tinta, chega agora as livrarias e quer coalmatar uma falha nos livros de histórias.
 
Aqui não faltam mulheres que se destacam. Há artistas plásticas, cantoras, actrizes, até a primeira mulher a ser polícia. São vários os retratos que celebram a herança das mulheres portuguesas. A autora Lúcia Vicente, 39 anos, que se dedica ao activismo feminista desde a adolescência, diz que nenhuma delas podia ficar de fora de um livro dedicado às crianças.

Tudo começou porque estava farta de ver histórias que dividiam as mulheres em duas categorias: ou bruxas ou princesas. Lúcia Vicente decidiu procurar outros livros. Na altura estava grávida da filha Emmeline e a ideia de um livro sobre mulheres marcantes começou a germinar na sua cabeça. Quando viu pela primeira vez a obra Histórias de adormecer para raparigas rebeldes, de Francesca Cavallo e Elena Favilli, ficou entusiasmada. Mas faltavam as portuguesas. Falámos com Lúcia Vicente para saber tudo sobre esta obra.

Como surgiu a ideia para este livro?
A ideia surge em 2015, estava eu grávida da minha filha Emmeline. Por essa altura a maioria dos livros infantis disponíveis eram sobre princesas delicadas e bruxas más, contos tradicionais com moralidades já ultrapassadas. Não conseguia aceitar que esses fossem os únicos modelos com os quais a minha filha cresceria. Não me importo que cresça entre princesas e fadas, bruxas e cavaleiros (esse mundo fantástico faz parte da idade e é importante), mas quero que saiba que existem outros tipos de mulheres, fortes e corajosas – como os príncipes retratados nas histórias de encantar – e que essas mulheres existiram, são reais.

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