Deixem o Zé Mário Branco "ser feliz, porra"!

Deixem o Zé Mário Branco 'ser feliz, porra'!
Diogo Barreto 19 de novembro de 2019

José Mário Branco morreu esta terça-feira, aos 77 anos. Com cinquenta anos de carreira, falou com a SÁBADO e não deixou de ser crítico. Da justiça, do tratamento das mulheres e do "fado bacoco". Afinal, o mundo continua a ser só inquietação.


José Mário Branco morreu esta terça-feira, dia 19 de novembro, aos 77 anos. Recorde a entrevista que deu à SÁBADO, em dezembro de 2018. 

"Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora", gritava José Mário Branco em 1980, no palco do Teatro Aberto. Tinha 37 anos. Vivia o período de "refluxo" da Revolução de Abril e do PREC. Cantava as suas inquietações e as do povo que o viu lutar. Foi uma das vozes mais reivindicativas do seu tempo, colocando-se sempre ao lado do povo. Tinha o cabelo e o bigode preto e expressão de quem está disposto a atacar até os mais poderosos, em nome dos seus ideais. Aos 76 anos é menos vocal, mas não menos atento e assertivo. O bigode e o cabelo são brancos.

José Mário Branco usa óculos sem armação e as mãos tremem um pouco, principalmente quando não gesticula. A voz continua cavernosa e o discurso pausado, como se medisse cada palavra antes que esta se solte. Por vezes assume um ar contemplativo e deixa passar vários segundos entre as frases e a sala ficaria em silêncio, não fosse o som de um relógio que tem na sala. Só depois dita a sua sentença.

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