Cineasta vencedora de um Óscar diz que mulheres "não têm de se encaixar no patriarcado"

Lusa 10 de fevereiro de 2020
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"Não temos de fazer as coisas da mesma forma que os homens", afirmou Julia Reichert, que venceu o Óscar de Melhor Documentário por "Uma Fábrica Americana", com Steven Bognar e o produtor Jeff Reicher.

A realizadora Julia Reichert, que venceu o Óscar de Melhor Documentário por "Uma Fábrica Americana", com Steven Bognar e o produtor Jeff Reicher, disse que as mulheres "não têm de se encaixar no patriarcado" para vingar em Hollywood.

Julia Reichert
Julia Reichert Getty Images

"Não temos de fazer as coisas da mesma forma que os homens", afirmou a co-realizadora do documentário, que é a primeira colaboração entre a Netflix e a produtora Higher Ground de Michelle e Barack Obama.

O segredo para o avanço das mulheres realizadoras, num ano em que a Academia só nomeou homens para a principal categoria de realização, será a "irmandade, que é outra forma de dizer solidariedade, que é outra forma de dizer apoiem-se umas às outras", considerou a veterana dos documentários.

"Quando vim aos Óscares pela primeira vez, em 1977, isto era um mar de homens brancos", lembrou. "Está a melhorar. Como é que isso aconteceu? Não foi por causa de mulheres individuais", continuou.

Reichert disse que parte do que mudou é que na indústria as mulheres perceberam que era preciso trabalharem em conjunto. As mulheres passaram a poder escolher o seu caminho e devem "apoiar-se umas às outras", não entrar "no clube dos rapazes" para chegarem ao sucesso.

"Uma Fábrica Americana" retrata a fábrica chinesa Fuyao em Moraine, Ohio, e as tentativas de formar um sindicato de trabalhadores num contexto de choque de culturas, com diferentes perspetivas do que é ética de trabalho na China e nos Estados Unidos.

O Óscar de melhor documentário foi apresentado no Dolby Theatre pelo ator Mark Ruffalo, que notou que quatro dos cinco documentários de longa-metragem na corrida pela estatueta dourada foram realizados ou co-realizados por mulheres.

Também na categoria de melhor documentário em curta-metragem venceu uma mulher, Carol Dysinger, por "Learning To Skate in a Warzone (If You're a Girl)", que abordou a questão do olhar feminino em Hollywood e deixou um conselho às mulheres que querem seguir este caminho.

"Perguntem-se porque devem ser vocês a contar esta história", disse. "Perguntem-se porque querem fazer este filme. A resposta pode não ser imediata".

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