A arma surgiu durante a Guerra Civil Espanhola e a partir daí tornou-se um símbolo de guerrilha. Foi essencial durante a Revolução Húngara (1956).
Um militante do PS e professor das Belas-Artes foi acusado de ter lançado um cocktail molotov contra os manifestantes que participavam na Marcha pela Vida, em março, protestando contra o aborto. O homem de 39 anos acabou detido pela Polícia Judiciária e recebeu como medida de coação prisão preventiva. A sua arma de eleição é quase tanto um manifesto político como uma bomba caseira, com uma história de mais de um século.
Dois soldados anglo-indianos lançam cocktails Molotov a 12 de dezembro de 1940Foto AP
O uso do fogo como arma vem referido nos primeiros livros da Bíblia, mas foi em 1871 que surgiram os primeiros registos modernos de dispositivos incendiários improvisados - quando um grupo de mulheres francesas da classe trabalhadora foram acusadas de iniciar os incêndios que devastaram Paris durante a insurreição da Comuna.
Foi durante o século XX, mais precisamente na Guerra Civil Espanhola (1936-39), que o cocktail molotov - uma garrafa de vidro com uma mistura inflamável simples e um pavio - ganhou notoriedade ao tornar-se um elemento básico nas rebeliões, por ser uma arma bastante poderosa, mas com elementos caseiros e baratos. Simples, barata e eficaz, foi usada pela primeira vez nesta guerra tanto por nacionalistas como por republicanos como uma arma antitanque.
O nome, porém, só surgiria pouco tempo depois pela boca dos finlandeses. Foi durante a Guerra de Inverno (1939-40) que o exército finlandês desenvolveu uma versão mais refinada da arma para enfrentar os tanques soviéticos. Em resposta ao então ministro dos Negócios Estrangeiros soviético, Vyacheslav Molotov, que descrevia os bombardeamentos levados a cabo pelas tropas russas como "entregas de alimentos", os finlandeses batizaram ironicamente estas garrafas incendiárias "cocktail Molotov".
Em 1940, Tom Wintringham, um veterano das brigadas internacionais da Guerra Civil Espanhola, publicou até um guia na revista britânica Picture Post a explicar como se usava este tipo de arma. A partir daí, o conceito espalhou-se rapidamente. No mesmo ano, o exército britânico começou a realizar treinos com este tipo de armas e a trabalhar numa outra versão para uso da Guarda Nacional.
Após a Segunda Guerra Mundial, o cocktail molotov reapareceu em vários conflitos: foi o caso da Revolução Húngara (1956), onde os insurgentes húngaros conseguiram destruir centenas de tanques do Exército Vermelho recorrendo a táticas de guerrilha e cocktail molotovs para o conseguir.
Desde então esta arma tornou-se uma presença constante em protestos e conflitos armados um pouco por todo o mundo: foi usada pelos checoslovacos, por exemplo, contra as tropas invasoras, por estudantes em Paris, por palestinianos em confrontos com soldados israelitas, por manifestantes iranianos anti-xá e em tumultos raciais nos Estados Unidos durante a década de 60.
Em Portugal, o caso mais recente remonta ao mês de março, quando um militante do PS e professor das Belas-Artes foi acusado de ter lançado um artefacto destes durante a manifestação Marcha pela Vida.
Hoje, em muitos países, a posse, o fabrico e o uso deste tipo de dispositivos incendiários improvisado é considerado um crime grave. Apesar disso, o cocktail molotov permanece como símbolo de resistência popular.
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