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Homem que atirou 'cocktail molotov' contra Marcha Pela Vida vai recorrer da prisão preventiva

Lusa 16 de abril de 2026 às 14:39
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O advogado admite que a conduta do seu cliente "é muito censurável", o que o próprio reconhece, mas sublinha que a ação não tem a "conotação ideológica" nem as "intenções concretas" que lhe têm sido atribuídas.

A defesa do homem que esta quinta-feira ficou em prisão preventiva por ter alegadamente atirado um 'cocktail molotov' contra a Marcha Pela Vida, em março, vai recorrer da medida de coação, anunciou o advogado do arguido.

Marcha Pela Vida
Marcha Pela Vida Lusa

Numa declaração escrita remetida à Lusa, Ricardo Sá Fernandes admite que a conduta do seu cliente "é muito censurável", o que o próprio reconhece, mas sublinha que a ação não tem a "conotação ideológica" nem as "intenções concretas" que lhe têm sido atribuídas.

O Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, aplicou hoje prisão preventiva ao homem de 39 anos, militante do Partido Socialista (PS), detido na quarta-feira pela Polícia Judiciária (PJ) por ter alegadamente arremessado um 'cocktail molotov' contra a Marcha Pela Vida, em 21 de março, junto à Assembleia da República.

Segundo a Comarca de Lisboa, o suspeito está indiciado da prática de dois crimes de infrações terroristas, um dos quais na forma tentada, relacionados com atos contra a vida, de ofensa à integridade física, de posse de armas e de libertação de substâncias perigosas, incorrendo, pelo menos, numa pena de prisão entre os dois anos e os sete anos e quatro meses de prisão.

Os perigos de fuga, de perturbação do inquérito e de perturbação da ordem e da tranquilidade públicas justificaram a aplicação da medida de coação mais gravosa na lei.

O homem já tinha sido detido pela PSP, por posse de arma proibida, no dia da manifestação contra o aborto, tendo na altura sido libertado pelo tribunal, com a obrigação de se apresentar diariamente na esquadra.

A investigação transitou posteriormente para a PJ, que, após "dezenas de diligências para obter meios de prova", executou na quarta-feira o mandado de detenção e outro de busca e apreensão, no âmbito do qual foram apreendidos "diversos elementos denunciadores de um móbil ideológico", indicou então o órgão de investigação criminal.

Hoje, a defesa do arguido considerou que entre março e esta semana "não há nada de relevante e novo, a não ser a enorme pressão mediática a que" o caso "foi submetido".

"Quando os tribunais atendem a essa pressão, é a Justiça que sofre, o que lamento que tenha acontecido", afirmou.

Um 'cocktail molotov' é um engenho artesanal fabricado com uma garrafa de vidro, líquidos inflamáveis e um pano embebido no mesmo combustível.

Em 21 de março, o engenho não deflagrou, mas gerou "um clima de alarme e perturbação", tendo algumas pessoas sido atingidas pelo líquido inflamável, referiu, na altura, a PSP.

No momento do arremesso, participavam na Marcha Pela Vida cerca de 500 pessoas, incluindo crianças.

O homem foi suspenso preventivamente pelo PS, anunciou na quarta-feira o partido, acrescentando que "a confirmarem-se os factos poderá ser aplicada a expulsão" ao militante socialista.

"O PS não pactua com nenhum tipo de violência e considera absolutamente intolerável qualquer ato que possa consubstanciar um comportamento desse tipo", concluiu o partido.

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