Alan Friedlander nada com tubarões – e adora

Alan Friedlander nada com tubarões – e adora
André Rito 30 de julho de 2016

Foi pescador, surfista e apaixonou-se pelo oceano. Hoje é mergulhador e investigador da National Geographic. Passa mais tempo dentro de água do que em terra

Alan Friedlander estava sentado num pequeno gabinete do ISPA - Instituto Universitário, em Lisboa, onde preparava uma conferência sobre protecção marinha, quando começou a contar as peripécias da sua última expedição, nas Galápagos. "É das zonas com maior concentração de tubarões do mundo. De repente, reparei que estava rodeado por dezenas deles. Pior: que ocupava a base da cadeia alimentar", recordou à SÁBADO o investigador da série da National Geographic Pristine Seas [Mares Primitivos]. Com mais de 10 mil horas passadas debaixo de água, Alan diz que o fundo do mar ainda permanece um mistério. "Os oceanos representam 70 por cento da superfície terrestre. Pode parecer estranho, mas sabemos mais sobre a Lua."

Nascido no Maryland, na costa atântica dos EUA, Friedlander cedo se dedicou ao mar. Primeiro a acompanhar os pescadores locais, depois como surfista e mergulhador, e finalmente como docente na Universidade do Havai, onde dirige o Laboratório de Investigação de Ecologia Pesqueira. Não esquece o seu primeiro mergulho, mas garante que só teve a "verdadeira revelação" quando se aventurou na Grande Barreira de Corais, no início dos anos 80. "Foi nessa altura que percebi o impacto que o homem tem nos oceanos."

A experiência foi tão marcante que decidiu abraçar para sempre uma missão: estudar e proteger o mar. "Mudei-me para o Havai e doutorei-me em Oceanografia. Fiquei lá até hoje."

Barco avariado
Nos últimos 30 anos, Friedlander mergulhou um pouco por todo o mundo, do Árctico inóspito aos mares das Ilhas Selvagens, na Madeira, onde participou num capítulo de Pristine Seas.

O objectivo da série é exibir e proteger os últimos ecossistemas selvagens do oceano e Friedlander foi convidado pelo autor do programa, Enrique Sala, na sequência de um estudo que publicou sobre o Havai e que mostrava que as ilhas desabitadas tinham mais 30% de peixe do que as restantes.

Em 2005, viajaram juntos até às Ilhas Natal, na Austrália, e publicaram um artigo científico sobre os 10 dias de mergulho com uma equipa internacional de cientistas. "Fiquei surpreendido com os grandes predadores, sobretudo com os tubarões", conta à SÁBADO recordando uma expedição que parecia destinada ao falhanço: "Ficámos sem comida, o barco avariou e mergulhámos com dezenas de tubarões. Mas, apesar da fome e do medo, estava toda a gente feliz."

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