Acabar e começar namoros por videochamada?

Acabar e começar namoros por videochamada?
Ana Taborda 30 de maio de 2020

Na pandemia dos adolescentes há relações novas, serões musicais em família e jogos de ping pong na mesa da cozinha. As festas fizeram-se por Skype e Zoom e alguns miúdos pediram pela primeira vez um espaço só para eles

No dia em que fez um ano de namoro, o filho mais velho de Bárbara pediu uma folga no isolamento. "Tem 16 anos e perguntou-me se eu lhe podia fazer um bolo para levar à namorada", conta a mãe à SÁBADO. "Na altura ficámos um bocadinho apreensivos. A ideia era ir vê-la à varanda, mas a namorada convidou-o para jantar e como temos uma óptima comunicação com os pais dela, lá autorizamos". Não houve propriamente distanciamento social, conta divertida. "Acho que ela lhe tirou a máscara assim que o viu e deu-lhe logo um beijo, mas eu compreendo, são 16 anos." O irmão de 14 anos também namora, mas ainda não teve autorização para um encontro pessoal. "Ele acabou um namoro de um ano e começou outro à distância, tudo na quarentena. Já pediu para a ver, claro, mas não conheço a namorada, os pais dela são médicos, vamos esperar mais um bocadinho."

Para Bárbara Ramos Dias, psicóloga especialista em crianças e adolescentes, os miúdos que têm regras claras e pais exigentes foram os que fizeram coisas mais engraçadas durante estes meses. "Tenho um, de 17 anos, que criou uma marca de tshirts para vender online. Saía à noite todos os dias e, com o confinamento, os pais obrigaram-no mesmo a ficar em casa. Teve que aproveitar toda a energia que tem para fazer outras coisas." Vários começaram a tocar instrumentos: aprenderam guitarra no Youtube, decidiram tocar piano ou até violino e alguns chegaram a fazer serões para a família. Quando estavam com saudades dos amigos, pegavam num copo, desciam as escadas e simulavam uma festa por skype. 

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