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Taiwan: Xi Jinping avisou Biden para não "brincar com o fogo"

28 de julho de 2022 às 21:30
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Conversa entre os dois líderes aconteceu num momento em que se fala de uma possível visita da líder da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, a Taiwan. Situação está a intensificar a tensão entre Washington e Pequim.

O presidente chinês e o norte-americano tiveram esta quinta-feira uma conversa telefónica "sincera e aprofundada", segundo os media estatais chineses. Xi Jinping terá avisado Joe Biden para não "brincar com o fogo" em relação a Taiwan.

"Aqueles que brincam com o fogo acabam por se queimar", disse o chefe de Estado chinês ao homólogo norte-americano, citado pela agência noticiosa oficial chinesa Xinhua (Nova China). "Espero que o lado americano compreenda isto perfeitamente", acrescentou.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China divulgou, através de um comunicado, que Xi Jinping pediu ao homólogo norte-americano que os Estados Unidos "sigam o princípio uma só China". Durante a conversa telefónica, o Presidente chinês reiterou a Biden a oposição da China "à independência de Taiwan" e "interferência externa".

Do lado norte-americano, a Casa Branca informou, até ao momento, que os dois líderes conversaram durante mais de duas horas sobre as crescentes tensões entre Washington e Pequim, a propósito da questão de Taiwan e os diferendos comerciais que existem entre os dois países.

"A conversa entre o Presidente Biden e o Presidente Xi Jinping da República Popular da China terminou às 10:50 da manhã (hora local)", disse a Casa Branca (Presidência norte-americana) numa breve declaração.

A conversa acontece num momento em que se fala de uma possível visita a Taiwan da líder da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, em agosto, situação que está a intensificar a tensão entre Washington e Pequim.

Pelosi ainda não anunciou oficialmente nenhuma viagem a Taiwan – território que Pequim reivindica como uma província separatista a ser reunificada pela força caso seja necessário -, mas o Governo chinês tem vindo a alertar que responderá com "medidas fortes" se a visita se confirmar.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores chinês, Xi Jinping expressou também ao chefe de Estado norte-americano a esperança de que as duas superpotências "mantenham a comunicação sobre questões importantes, como coordenação de políticas macroeconómicas, manutenção da estabilidade das cadeias de abastecimento industriais e garantia de energia global e segurança alimentar".

Além disso, refere a mesma fonte, o líder chinês alertou Biden que "a dissociação das cadeias de abastecimento não ajudará a impulsionar a economia dos EUA". O Presidente chinês alertou ainda o homólogo norte-americano que "definir as relações entre os dois países de uma perspetiva competitiva é enganador e errado".

Da mesma forma, Xi recomendou que os dois países "trabalhem juntos" para "arrefecer as questões regionais mais quentes" e "ajudar o mundo a sair da pandemia de covid-19, estagnação e risco de recessão", adianta a diplomacia de Pequim.

A guerra na Ucrânia também foi tema de conversa entre os dois chefes de Estado, embora Pequim apenas adiante que Xi Jinping "reiterou a posição da China" sobre o assunto. Desde o início da guerra, a China manteve uma posição ambígua e apenas pediu respeito pela "integridade territorial de todos os países", incluindo a Ucrânia, e atenção às "preocupações legítimas de todos os países", referindo-se à Rússia.

A chamada, que durou precisamente duas horas e 17 minutos, tinha começado às 08:33 locais (13:33, hora de Lisboa). Foi a quinta conversa entre os dois líderes desde que Biden chegou à Casa Branca, em janeiro de 2021.

As relações entre os dois países começaram a deteriorar-se em 2018, quando o então Presidente dos EUA, Donald Trump, iniciou uma guerra comercial com a China que se estendeu depois ao setor da tecnologia e diplomacia.

No último ano, as tensões têm-se intensificado em relação a Taiwan, com a qual os EUA não mantêm relações oficiais, sobretudo porque Washington é o principal fornecedor de armas para a ilha e seria seu maior aliado militar em caso de guerra com o gigante asiático.

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