José Sócrates recorda Jorge Coelho: um "político com uma grande intuição"

Lusa 07 de abril
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 "Era um homem encantador, que fazia amigos facilmente e uma pessoa de uma extrema jovialidade de espírito", destacou José Sócrates.

O antigo primeiro-ministro José Sócrates lamentou esta quarta-feira a "notícia trágica" da morte de Jorge Coelho, com quem integrou o Governo de António Guterres, recordando uma pessoa de "extrema jovialidade de espírito" e "um político com grande intuição".

Com José Sócrates que na época era líder do PS.
Com José Sócrates que na época era líder do PS.
 "Era um homem encantador, que fazia amigos facilmente e uma pessoa de uma extrema jovialidade de espírito", destacou à agência Lusa José Sócrates.

Para o antigo primeiro-ministro, entre 2005 e 2011, Coelho era "um político com uma grande intuição, capaz de transformar o sentimento que ele intuía no povo em conceitos que podiam ser usados na retórica política".

José Sócrates e Jorge Coelho integraram enquanto ministros os governos liderados por António Guterres, entre 1995 e 2002.

Sócrates, que confessou que falar de Jorge Coelho é uma ajuda para fazer "o luto da notícia trágica e sem aviso", destacou também a importância do antigo ministro no Partido Socialista (PS).

"Era um homem muito popular no PS, porque a sua linguagem política era uma linguagem muito acessível e que refletia exatamente o sentimento das pessoas, os sentimentos mais profundos", assinalou.

"Foi um belíssimo companheiro ao longo dos anos e recordo-o com saudade, como um bom amigo", acrescentou.

José Sócrates salientou também a "carreira política bem sucedida" de Jorge Coelho.

"Um dos momentos mais importantes foi a participação que teve na caminhada que fizemos para transformar o PS no partido de Governo em 1995, quando ganhamos as eleições com António Guterres. Era uma espécie de número dois do partido", frisou.

Para o antigo governante, Jorge Coelho era ainda "uma personagem muito respeitada em todos os setores sociais".

"Tinha um leque muito variado de amigos em diferentes quadrantes da política e da vida portuguesa, que o transformava num homem muito requisitado nos círculos sociais", concluiu.

Jorge Coelho, ministro dos governos liderados por António Guterres entre 1995 e 2002, morreu hoje, aos 66 anos, segundo fonte do PS, vítima de paragem cardíaca fulminante.

Jorge Coelho foi ministro de três pastas: ministro Adjunto; ministro da Administração Interna; ministro da Presidência e do Equipamento Social.

A partir de 1992, com Guterres na liderança, Jorge Coelho foi secretário nacional para a organização, contribuindo para a vitória eleitoral dos socialistas nas legislativas outubro de 1995.

Nascido em 17 de julho de 1954, em Mangualde, distrito de Viseu, Jorge Coelho era empresário, mas continuou sempre a acompanhar a atividade política, como comentador de programas como a Quadratura do Círculo, na SIC Notícias e TSF, mas também como cidadão.

Jorge Coelho marcou a atividade política ao demitir-se do cargo de ministro do Equipamento do executivo de António Guterres após a queda da ponte de Entre-os-Rios em 04 de março de 2001, alegando que "a culpa não pode morrer solteira".
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