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Greve geral: Raimundo apela à participação maciça contra o pacote laboral

Lusa 19:44
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O líder do PCP lembrou que "não é depois da casa assaltada que se põem as trancas à porta".

O secretário-geral do Partido Comunista Português, Paulo Raimundo, apelou este sábado, em Coimbra, para a participação maciça de todos os trabalhadores na greve geral de 03 e junho contra o novo pacote laboral.

Paulo Raimundo
Paulo Raimundo ANTÓNIO COTRIM/LUSA

"Dia 03 de junho, todos à greve geral" desafiou Paulo Raimundo no final da XI Assembleia da Organização Regional, que decorreu em Coimbra, justificando que "é este o momento" para "travar este assalto" que traz o novo pacote laboral.

O líder do PCP lembrou que "não é depois da casa assaltada que se põem as trancas à porta".

"A luta continua e hoje há razões acrescidas para lutar: respeito, dignidade, direitos, tempo a viver, salários, que é isso que responde às necessidades da maioria, e uma vida melhor. Será a luta a impor este caminho e a fazer com que se cumpram os direitos e também os direitos consagrados na Constituição", sublinhou.

Reafirmando que o PCP não aceita as propostas do novo pacote laboral, Paulo Raimundo disse que o documento "está rejeitado" e "foi rejeitado no dia 11 de dezembro na greve geral, nos locais de trabalho, nas ruas, no 1.º de Maio e no 25 de Abril".

Para o secretário-geral comunista, "este pacote laboral está mais perto de ir ao chão do que ser aprovado e ser uma realidade". E destacou a "força imensa do trabalho daqueles que criam a riqueza" e "que têm o país a funcionar." "É possível, derrubar de facto este pacote laboral."

Durante o discurso, Paulo Raimundo reiterou que PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega apoiam a guerra no Médio Oriente e "para a qual arrastaram o país quando transformaram a Base das Lajes num trampolim para que milhares de bombas caiam no Irão, no Líbano, mas também na Palestina".

"As guerras são sempre deles, mas a fatura" é para o "povo pagar", afirmou.

"Mesmo que o Governo se vergue - e verga - mesmo que esse seja o sonho de um tal senhor Marco Rubio [secretário de Estado norte-americano], Portugal não é um apêndice dos Estados Unidos. É um país soberano", reiterou.

O líder do PCP disse ter apresentado uma proposta para a criação duma comissão de inquérito para que "se esclareça tudo o que envolve a Base das Lajes, o território nacional e o espaço aéreo nacional, nesta loucura da guerra contra o Irão por parte dos Estados Unidos".

Paulo Raimundo acusou ainda PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega, "apoiantes da guerra", de serem "também eles responsáveis por cada cêntimo do aumento do custo de vida que está associado à guerra".

Para o secretário-geral do PCP, "são os partidos da guerra e ao serviço daqueles que ganham com ela, que simultaneamente recusam aquilo que é necessário e que é urgente impor: o caminho da paz, do controle e fixação de preços, a limitação das margens de lucro, a fixação do preço da botija de gás em 20 euros, o apoio aos pequenos agricultores e produtores e a defesa das micro, pequenas e médias empresas".

"Essa política que verga o país perante os grupos económicos e as multinacionais, que assalta a soberania e coloca o país de joelhos perante as imposições da União Europeia, procura cometer ainda mais crimes económicos, com mais privatizações e com toda a corrupção que lhe está profundamente associada", criticou.

Paulo Raimundo acusou ainda a ministra da Saúde de ser "uma verdadeira emissária dos grandes interesses daqueles grupos económicos que fazem da doença um negócio".

A política do Governo, acrescentou, "está a desmantelar o Serviço Nacional de Saúde".

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