Eleições na Mutualista Montepio com quatro listas concorrentes

Lusa 13 de setembro
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A Associação Mutualista Montepio Geral tem quase 600 mil associados e é o topo do grupo Montepio, em que se inclui o Banco Montepio.

As eleições para a Associação Mutualista Montepio Geral deverão contar com quatro listas concorrentes, sendo uma liderada por Virgílio Lima, presidente do Conselho de Administração, e três de oposição à atual gestão.

Fonte oficial da candidatura de Virgílio Lima disse à Lusa que este é candidato a presidente do Conselho de Administração nas eleições de dezembro, depois de em 2019 ter substituído Tomás Correia, que saiu da mutualista na sequência de processos de contraordenação.

Também hoje, a autodesignada 'lista de quadros' disse que Pedro Gouveia Alves é o seu candidato a presidente do Conselho de Administração, depois da desistência por motivos pessoais de João Vicente Ribeiro, anterior cabeça de lista proposto.

Quando Tomás Correia era presidente da mutualista, Pedro Gouveia Alves era muito próximo do gestor.

Na semana passada, o Jornal Económico noticiou que o ex-presidente da mutualista Tomás Correia não apoia a candidatura de Virgílio Lima, mas também recusou, em declarações ao jornal, que dê apoio a qualquer qualquer candidatura.

Além destas listas deverá haver mais duas, que tentaram uma lista unitária, mas as conversações terminaram em junho sem sucesso.

Uma das listas tem o economista Eugénio Rosa (ligado ao PCP e que nos últimos anos fez oposição à administração) como candidato a presidente do Conselho de Administração. Como vogais executivos da administração são candidatos Tiago Mota Saraiva, Joaquim Dionísio, Inácia Moisés e António Couto Lopes, segundo disse à Lusa fonte da lista.

A ex-deputada do BE Ana Drago integra esta lista, mas concorrendo para a Assembleia de Representantes.

Ao Conselho Fiscal concorrem, por esta lista, António Rosa Zózimo (após a recente morte de Martins Correia), Hélder Nora e Rogério Moreira.

Por fim, a outra lista será liderada pelo professor universitário Pedro Corte Real, confirmou hoje o próprio à Lusa.

Esta lista conta com o apoio de nomes como Fernando Ribeiro Mendes e Miguel Coelho.

Apesar de as eleições serem apenas em dezembro, as listas tiveram de ser enviadas à Autoridade dos Seguros e Fundos de Pensão (ASF) antes de agosto para o regulador avaliar os nomes (desde logo a idoneidade) e fazer o seu registo.

Segundo informações recolhidas pela Lusa, a ASF ainda está a fazer esse trabalho de registo.

A Associação Mutualista Montepio Geral tem quase 600 mil associados e é o topo do grupo Montepio, em que se inclui o Banco Montepio.

As eleições de dezembro vão eleger o Conselho de Administração, o Conselho Fiscal, a Mesa da Assembleia-Geral e a Assembleia de Representantes (o novo órgão social da mutualista que substitui o Conselho Geral, ao abrigo dos novos estatutos). A convocatória formal das eleições deve sair nos próximos dias.

Em 2020, a Associação Mutualista Montepio Geral (contas individuais) teve prejuízos de quase 18 milhões de euros, melhor do que os 408,789 milhões de euros negativos de 2019.

Estas contas tiveram reservas da auditora PWC, que considera que o valor registado em ativos por impostos diferidos (de 867,6 milhões de euros, que permitem melhorar os resultados) não são recuperáveis.

Já o relatório do grupo de trabalho dos ativos diferidos, também divulgado no relatório e contas, diverge da PWC ao concluir da recuperabilidade desses ativos.

Contudo, ainda faltam ser conhecidas as contas consolidadas de 2020, que integram as empresas detidas pela associação mutualista, caso do banco Montepio (que em 2020 teve prejuízos de 80,7 milhões de euros) e as seguradoras.
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