Foi assim que (o amor) aconteceu

Foi assim que (o amor) aconteceu
Sónia Bento 14 de fevereiro

Houve quem tenha feito o pedido de namoro - "para casar, com alianças, filhos e tudo" - no carro. Uns deram o primeiro beijo, técnico, logo no dia em que se conheceram, e outros passaram da ficção à realidade num set de filmagens, no México


Júlia Pinheiro e Rui Pêgo
"Conheci o Rui Pêgo no primeiro dia em que fui à Rádio Renascença, combinar as coisas com o diretor da época, o Henrique Mendes. Foi há 36 anos, tinha eu 22 e o Rui já era uma grande vedeta da casa, o chamado "príncipe negro" porque fazia os formatos mais alternativos. Ele estava com o Henrique Mendes, que nos apresentou. Nesse dia, o Rui era suposto ter entrevistado o Mark Knopfler, líder dos Dire Straits, e adormeceu. Eu armei-me em vivaça e atirei com esta: ‘então, deixou o Mark Knopfler pendurado ao telefone?’. Ao que ele me respondeu, com a maior descortesia: ‘O que é que você tem a ver com isso?’. Fiquei aflita, mas lá me recompus e fui-me embora convencida de que nunca mais voltaria a falar com aquele senhor e se me cruzasse com ele no corredor nem boa tarde lhe diria. Mal viro costas, o Rui diz para o Henrique Mendes: ‘Eu vou casar com esta miúda’. As nossas leituras foram diferentes: ele achou que eu era a mulher da vida dele e eu achei que ele era a pessoa mais desagradável que eu já conhecera. Depois foi quase um ano de pressão sistemática, em que ele aparecia onde eu não esperava e a sedução do encontro no corredor. Eu sempre muito cautelosa até baixar a guarda. Um dia fomos com um grupo da rádio a Madrid, de autocarro, ver um concerto do Carlos Santana. Durante toda a viagem o Rui não me largou e só aí comecei a vê-lo com outros olhos".

Maria Filomena Mónica e António Barreto
"Em 1973, após ter completado dois anos em Oxford, regressei a Portugal, a fim de fazer a investigação para a tese de doutoramento. Fui então convidada pelo Prof. Sedas Nunes para fazer parte do grupo de sociólogos que juntara à sua volta. Não tardei a verificar que no GIS (Gabinete de Investigações Sociais) não encontraria a condição que me é essencial para escrever: o silêncio. No verão de 1975, decidi ir falar com o Reitor, Prof. Fraústo da Silva, perguntando-lhe se me arranjava um espaço sem barulho. Disse-me, sorrindo, que o melhor era falar com um sociólogo que ali trabalhava. Deparei-me com o António Barreto, um homem que eu vagamente sabia ter estado exilado na Suíça. Após lhe ter explicado a minha presença, vi que ficara atónito com uma criatura que, em plena Revolução, apenas desejava averiguar o grau de isolamento das paredes universitárias. Não, respondeu-me, não havia ali o que desejava. Em setembro parti para Oxford. Muitos anos se passaram até nos voltarmos a encontrar. Já não recordo o dia, mas sei que, no verão de 1980, fomos ambos a Veneza".

Jorge Corrula e Paula Lobo Antunes
"Eu e o Jorge conhecemo-nos a fazer uma curta-metragem, a Daphne, em 2005. Já lá vão 16 anos! Na época eu vivia nos Estados Unidos e vim a Portugal rodar o filme. Fazíamos um casal e acho que houve uma empatia imediata, apesar de que no primeiro dia tínhamos que filmar o nascer do sol, ele adormeceu e eu fiquei muito irritada. Foi nesse filme demos o nosso primeiro beijo técnico. A partir daí foi sempre em contato, eu era casada na altura e só começamos a namorar uns dois anos mais tarde, quando eu vim morar para Portugal. De repente, aproximamo-nos, já nem me lembro bem como foi. Íamos muito a jantares e a festas em casa de amigos comuns e aconteceu. Ao fim de pouco tempo ele já estava a viver em minha casa".

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