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Dono da Mango achava que o filho era capaz de o matar, revelam mensagens

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Filho do fundador da Mango continua a garantir que mantinha boas relações com o pai, mas não é isso que sustentam algumas mensagens a que as autoridades tiveram acesso.

Mensagens de julho de 2024, recuperadas do telemóvel de Jonathan Andic - filho do fundador da Mango, Isak Andic, - contradizem a versão de que Jonathan sempre teve um bom relacionamento com o pai. Numa das mensagens que Jonathan enviou ao pai cinco meses antes de ter morrido ao cair da montanha de Montserrat, o filho mais velho escreveu: "Não me surpreende que tenhas pensado que eu era capaz até mesmo de te matar."

Isak Andic (dono da Mango) e Jonathan Andic (filho)
Isak Andic (dono da Mango) e Jonathan Andic (filho) Getty Images

A equipa de defesa contestou, no entanto, a leitura feita pela acusação e afirmou que as mensagens foram "tiradas de contexto" com o objetivo de "contribuir para a criação de uma narrativa que distorce a verdade". Sobre a mensagem, a defesa garantiu que esta é meramente "metafórica" e situa-as no contexto de terapia.

Isak Andic frequentava a psicoterapia e numa das mensagens que enviou à psicoterapeuta de família, em junho de 2024, o empresário descreveu o filho como "apenas mediano ou ruim, normal". Sobre a relação, acrescentou: "Apenas o mínimo necessário. Dizer olá e coisas do tipo. Nada mais." Já numa outra mensagem, que remonta a maio daquele ano, a psicoterapeuta lembrou o fundador da Mango que, numa das sessões, ele havia mencionado que estava a ponderar deserdar o filho mais velho.

A "obsessão de Jonathan Andic por dinheiro" e a fundação social para a qual o fundador na multinacional da moda planeava destinar parte do seu património seriam até um dos motivos de tensão entre pai e filho, segundo alega a acusação. Apontam, por isso, que o filho acreditava ter motivos para cometer um crime.

"Entendo que era impossível reparar o nosso relacionamento. Não me surpreende que o laço se tenha rompido", disse Jonathan em julho daquele ano.

A defesa de Andic considera, no entanto, injusto tirar conclusões e incriminar o filho do fundador da Mango "com base numa ou duas frases". Argumenta  ainda que este tipo de cenários leva à "condenação social preconceituosa".

O Ministério Público, que aponta contradições nos argumentos da defesa, aponta agora que existe um risco de fuga por parte de Jonathan, devido aos seus "elevados recursos financeiros" e à "severidade das penas que ele enfrenta".

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