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Cuidados intensivos

Temor e tremor

Uma democracia, por definição, precisa de cidadãos autónomos capazes de se autogovernarem. A cultura do medo corrói estas virtudes democráticas até só restar um rebanho temente e obediente, o sonho húmido de qualquer tirano.

Editorial

Aquela reforma que ninguém vai fazer

O País só mexeu neste círculo vicioso à força, sob alçada da troika e de Pedro Passos Coelho, mas o sistema refugiou-se depois nos alçapões das novas regras e continua vivo. Alimenta-se a clientela, mas também a perceção de que "são todos iguais" e o populista “eles querem é tacho”. É pena darem-lhes assim razão. Ninguém propôs sequer seriamente, PS ou PSD, tapar os buracos que permitem a continuação deste carrossel que envergonha ambos. Mas, pelo menos, já nos poupavam à exibição pública de moralidade fake.

Fazer o correto e perder o lugar

Enfrentar Trump é um imperativo moral para quem quer preservar a Democracia. Por estes dias, há autênticos heróis que o fazem no Partido Republicano. São poucos e dois dos mais relevantes (Tom Massie e Bill Cassidy) perderam as primárias por causa disso. Sabem, como no passado souberam McCain e Romney, que é muito mais importante defender a honra e a clareza democrática do que se agarrar a um lugar político que se extingue e é efémero. Haja quem ainda assim seja.

O Erro do Cid

É este tipo de moralidade que contestou a participação de Israel na Eurovisão e apelou à humilhação com a pontuação zero. A sua voz não teve eco nenhum. Noam Bettan ficou em segundo lugar e em primeiro a cantora búlgara, que apoiou Israel. Portugal deu pontuação máxima a Israel. Embrulha. É um bofetão para aqueles que se julgam proprietários da razão.

Trump troca o Direito pela sua moralidade

O Presidente dos EUA declara que o Direito Internacional é a sua "moralidade". A Venezuela foi só o início e a seguir vem Cuba? Regressa a teoria do "domínio do pátio traseiro". Daí não vem novidade. Mas a Gronelândia é outra coisa: os EUA de Trump não excluem atacar uma democracia aliada. Ou seja: a NATO pode atacar a NATO. O paradoxo dispensaria mais explicações

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