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Venezuela tem peso reduzido nas exportações de Portugal

Lusa 05 de janeiro de 2026 às 17:00
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Em 2024, a Venezuela representou apenas 0,01% das exportações portuguesas.

A Venezuela tem um peso reduzido no comércio internacional de Portugal, com uma posição diminuta nas exportações de bens, tendo comprado ao mercado nacional até outubro de 2025 produtos num valor próximo de 9 milhões de euros.

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De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), Portugal exportou para a Venezuela 10,4 milhões de euros em bens em 2024 e, nos 10 primeiros meses de 2025, expediu mercadorias no valor de 8,9 milhões, o que representou, até essa altura, uma subida de 4,8% em relação a outubro do ano anterior.

Os principais grupos de produtos exportados entre janeiro e outubro de 2025 foram máquinas, aparelhos e material elétrico (18,9%), produtos das indústrias alimentares e bebidas (14,9%), metais comuns (11,6%), gorduras e óleos animais (10%), mercadorias e produtos diversos (7,6%), pérolas, pedras preciosas e semelhantes e bijutaria (6,6%).

Apesar da variação positiva de 4,8%, as relações económicas entre os dois países são residuais, encontrando-se longe do nível de trocas dos anos de 2012 a 2014, o período em que Portugal mais exportou para o país sul-americano, com vendas de 313,3 milhões de euros em 2012, de 190,1 milhões em 2013 e de 207,0 milhões em 2014.

Uma década depois, com a progressiva quebra nas relações comerciais, a Venezuela era, em 2024, o 112.º cliente de Portugal, representando apenas 0,01% das exportações portuguesas.

Em 2025 mantinha-se praticamente no mesmo nível até outubro, como 111.º fornecedor e com um peso igual no total das exportações.

Como fornecedor de Portugal, foi o 99.º país em 2024 e estava em 107.º até outubro, assumindo igualmente neste indicador um peso de 0,01% das importações de bens, quer em 2024, quer nos dados de janeiro a outubro de 2025.

Do mercado venezuelano foram exportados para Portugal 10,2 milhões de euros em 2024, apenas menos 200 milhões de euros do que o valor exportado por empresas portuguesas.

As relações económicas têm vindo tendencialmente a diminuir. O montante que Portugal exportou para a Venezuela em 2024 foi o sétimo mais baixo desde 2005, só havendo piores registos de 2017 a 2022.

Segundo dados publicados pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) a partir do INE, só 165 empresas portuguesas venderam bens à Venezuela em 2024, das quais 143 comercializaram mais de um milhão de euros anuais e 22 um montante inferior a esse patamar.

Em 2024, Portugal importou quase tanto da Venezuela quanto exportou. Do mercado português foram vendidos bens no valor de 10,4 milhões de euros, apenas mais 200 milhões.

O contributo da Venezuela para o crescimento do comércio português a nível internacional foi negativo em 2024 e, de janeiro a outubro de 2025, foi nulo, segundo cálculos publicados pela AICEP.

Segundo as estatísticas do UN Comtrade, base de dados de comércio de bens elaborada pelas Nações Unidas, a Venezuela importou em 2024 bens no valor de 7.958 milhões de dólares (6.810 milhões de euros ao câmbio atual) e exportou 12.000 milhões de dólares (10.264 milhões de euros).

Os Estados Unidos, o Brasil, a Argentina, a Turquia e Espanha são os cinco países que mais vendem à Venezuela, concentrando perto de 80% das vendas, embora com pesos distintos. Espanha, apesar de ser o quinto fornecedor, só agrega 2,9% das importações venezuelanas.

Na sua página, a AICEP refere, com base em informação atualizada em maio de 2025, que "a fraca capacidade de produção interna e os constrangimentos ao comércio internacional (resultantes das sanções impostas pelos Estados Unidos da América) têm vindo a agravar os vários problemas estruturais da Venezuela", entre os quais a inflação (que se previa ser de 151,9% em 2025), o desemprego e o rácio da dívida pública (de 359% do PIB em 2024).

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