Tudo o que Rui Pinto disse quando foi interrogado

Tudo o que Rui Pinto disse quando foi interrogado
Nuno Tiago Pinto 24 de dezembro de 2019

O pirata aceitou falar de apenas uma parte dos factos pelos quais foi detido. Ao longo de uma hora garantiu que nunca entrou ilicitamente num computador e que nunca quis dinheiro pelos documentos que foram enviados por fontes do Football Leaks.

Eram 18h37 de 22 de maio de 2019 quando Rui Pinto começou a ser interrogado pela juíza de instrução criminal Maria Antónia Andrade (MA). Na sala estavam a procuradora titular do inquérito Patrícia Barão, a procuradora adjunta Vera Camacho e os advogados de defesa Francisco Teixeira da Mota e Luísa Teixeira da Mota. Depois de responder às perguntas habituais sobre a sua identidade e morada, Rui Pinto disse querer prestar declarações, mas só sobre alguns dos 173 pontos da indiciação, na qual era tido como suspeito de entrar nos sistemas da Doyen Sports Investments e do Sporting, de divulgar documentos confidenciais no Football Leaks e de tentar extorquir o CEO da Doyen, Nélio Lucas.
Num tom calmo e pausado, Rui Pinto (RP) quis começar por falar dos primeiros seis pontos, sobre o tempo passado em Budapeste, onde meses antes tinha sido detido.

MA: Diz aqui que no ano 2013 foi para a Hungria frequentar a universidade. Isto é verdade?
RP: Sim
MA: Em Budapeste. Diz que ficou entre 22 de fevereiro de 2013 e 5 de julho de 2013.
RP: Sim é verdade.
MA: E a partir dessa data passou a residir em Budapeste.
RP: Não. Passei a viver em Budapeste só a partir de 2015. (...) Para ser mais preciso, fevereiro de 2015.
MA: Diz aqui a morada, Szovetség Utca - não sei ler isto - 28 B, 2º.
RP: Não. A minha morada era Naag Diof [?], o numero não me lembro (...).
MA: Depois diz que entre 3/9/2015 e 2/11/2015 acedeu a essa conta de correio eletrónico através dos IP (…) localizados na morada (...) onde diz que não residiu.
RP: Em relação a estes IPs não sei se são os IPs verdadeiros. Mas há uma explicação. Nos meus acessos à Internet utilizo sempre formas de [os] anonimizar. Ou seja, com VPN ou com proxies. (...) Certamente que se as autoridades portuguesas receberam informação das autoridades húngaras, contém lá os metadados. E com os metadados conseguem ver em determinada hora e determinado dia quais foram os computadores que usaram esses endereços de IP.

A criação do Football Leaks
Em seguida, Rui Pinto quis falar sobre o Football Leaks. O MP alegava que o site tinha sido criado pelo jovem portuense, que o alimentava com documentos obtidos através da intromissão não autorizada em sistemas informáticos: informações sobre jogadores e clubes de futebol, incluindo valores de transferência de jogadores e treinadores e acordos entre entidades desportivas e contratos de agenciamento.

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