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Presidenciais: Paulo Raimundo apela "ao voto necessário" em António José Seguro

Secretário-geral do PCP não considera que Seguro representa a esquerda, mas entende que o voto no socialista é necessário para derrotar Ventura.

O secretário-geral do PCP apelou este sábado ao voto em António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, não por considerar que representa a esquerda, mas por entender ser o voto necessário para derrotar André Ventura.

Paulo Raimundo apela ao voto em António José Seguro para derrotar Ventura
Paulo Raimundo apela ao voto em António José Seguro para derrotar Ventura FERNANDO VELUDO/LUSA

"É necessário derrotar a sua candidatura e o único voto para contribuir para este objetivo, não há dois, nem há três, só há um. Com mais ou menos entusiasmo, a única hipótese que temos é votar em António José Seguro", disse Paulo Raimundo durante um comício em Almada, no distrito de Setúbal, intitulado "Outro Rumo para o País. Rejeitar o pacote laboral, a exploração e as injustiças".

O líder comunista explicou que existem duas coisas certas na segunda volta das presidenciais: "Não vai ser ainda possível afastar da Presidência da República alguém com compromissos claros com a política de direita, mas também é certo que isto não significa que o desfecho das eleições nos seja indiferente, bem pelo contrário, e é preciso de facto intervir, com força, sem hesitações, com a certeza que temos a razão, de intervir para derrotar André Ventura e as suas ambições e os seus projetos retrógrados, reacionários e em profundo confronto diário com a Constituição da República".

Aos militantes Paulo Raimundo explicou que votar em António José Seguro "não significa apoiar" porque "conhece bem o seu pensamento" mas sim rejeitar o candidato André Ventura que diz ser um instrumento nas mãos de forças reacionárias.

Para o líder comunista, André Ventura é a candidatura da mentira, da intolerância, da hipocrisia, do retrocesso e do passado.

"Não é apenas derrotar Ventura, é derrotar o projeto que lhe está entregue, o projeto reacionário, o projeto antidemocrático, o projeto que quer abrir um novo rumo de retrocesso para o nosso país. É isto que está em causa", sustentou.

O secretário-geral do PCP vincou ainda que nesta segunda volta das eleições presidenciais não existe um confronto entre a esquerda e a direita porque, explicou, para que tal fosse possível era preciso que estivesse um candidato de esquerda, ou seja, Antonio Filipe, apoiado pelo PCP na primeira volta das eleições.

"Não desvalorizemos a segunda volta", alertou apelando a que ninguém fique em casa.

António José Seguro e André Ventura foram os mais votados na primeira volta das eleições para o Palácio de Belém e vão disputar a segunda volta, em 08 de fevereiro.

O candidato apoiado pelo PS, e agora também por Livre, PCP e BE, conquistou 31% dos votos e Ventura, líder do Chega, obteve 23%.

Em terceiro lugar ficou Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal, com 16%, à frente de Gouveia e Melo, com 12%, e de Marques Mendes, apoiado pelo PSD e CDS-PP, com 11%.

À esquerda, Catarina Martins (BE) teve 2%, António Filipe (PCP) teve 1,6% e Jorge Pinto (Livre) 0,6%, abaixo do artista Manuel João Vieira, que conseguiu 1%. O sindicalista André Pestana recolheu 0,2% e Humberto Correia 0,08%.