Ser anti qualquer coisa é uma tática conhecida e a mobilização é frequentemente superior quando há circunstâncias de contexto que favorecem o ressentimento, a zanga ou a revolta. Se estamos zangados com algo, estamos mais ativados e propensos para certo comportamento.
Há
uns tempos, a Economist publicou uma peça muito interessante sobre o
designado “partidarismo negativo”, um termo que se refere ao movimento de voto
e ativismo, não para apoiar aquilo em que se acredita, mas por se ser contra o
outro ou algo. Através de uma análise a décadas de dados de democracias sobre
os sentimentos dos eleitores em relação aos partidos que apoiam e a que se
opõem, a equipa autora do estudo verificou que o designado partidarismo
negativo agravou-se de forma significativa e que a forma como as pessoas olham
para a atividade política se relaciona com um maior ou menor sentimento de
animosidade contra o outro. Neste caso, pessoas que vejam a atividade política
como uma luta por recursos escassos, ou que olham para o governo como sendo
ineficaz, ou que não esperam prosperar nos próximos anos e se sentem mal com as
suas vidas, estão mais suscetíveis àquele tipo de sentimentos.
É
certo que este movimento de voto sempre existiu e é natural que certos
sentimentos sejam muito mobilizadores. Mas a realidade dos últimos anos, o
ambiente de polarização e extremismo, alimentado por uma combinação de vários
aspetos, desde circunstâncias estruturais como a desigualdade, até à
prevalência de ferramentas como as redes sociais digitais, têm exponenciado
este padrão.
Ser
anti qualquer coisa é uma tática conhecida e a mobilização é
frequentemente superior quando há circunstâncias de contexto que favorecem o
ressentimento, a zanga ou a revolta. Se estamos zangados com algo, estamos mais
ativados e propensos para certo comportamento. Nas redes sociais tem maior
potencial viral tudo aquilo que remeta para aqueles sentimentos - o que
significa que as plataformas electrónicas têm interesse comercial nisto.
Mas
vivermos num clima de convivência preenchido pelo antagonismo e por ódios - o
que é diferente de existir diversidade - tem vários problemas: a confiança e a
coesão são corroídas e o cansaço e a falta de esperança crescem. Passamos a
estar num quadro em que não há consensos, de convivência impossível, onde cada
divergência passa a ser uma espécie de luta existencial para derrotar um
inimigo. Além da sua ineficácia, isto promove o afastamento das pessoas e a sua
disponibilidade para darem o seu contributo cívico.
Evidentemente,
isto não significa que deva haver unanimismos ou que não possa haver conflitos
e discordâncias - bem pelo contrário. O que está aqui em causa é o risco de uma
espiral de declínio, de uma circunstância insustentável em que o comportamento
é apenas motivado para deitar o outro e/ou algo abaixo. Além de que instigar a
zanga e o ressentimento, nomeadamente através da demagogia, da desinformação e
do populismo hostil, é uma boa camuflagem para quem esteja menos qualificado.
Progredir
só é possível com debate de diferenças e com compromissos, o que se torna
difícil se a base da dialética for a demonização do outro. As comunidades
somente poderão avançar se existir um terreno comum em que diferentes
movimentos se possam entender, desde logo em pressupostos básicos, como é o da
aceitação da democracia e das suas regras, a preservação das instituições, a
civilidade e o respeito mútuo. Caso contrário, resta-nos a guerrilha, em que
ninguém ganha - exceto os que querem apenas ser guerrilheiros.
Ser anti qualquer coisa é uma tática conhecida e a mobilização é frequentemente superior quando há circunstâncias de contexto que favorecem o ressentimento, a zanga ou a revolta. Se estamos zangados com algo, estamos mais ativados e propensos para certo comportamento.
Na verdade, brincar – especialmente sem a mediação de ecrãs – não é somente uma questão de lazer. O papel do brincar no desenvolvimento humano está amplamente demonstrado.
A desinformação não é apenas um fenómeno “externo”: a nossa própria memória também é vulnerável, sujeita a distorções, esquecimentos, invenções de detalhes e reconstruções do passado.
Como país, enquanto não formos eficientes e articulados nesta missão, por muito que se reforcem condições de tratamento continuaremos a lamentar-nos pela “elevada prevalência de perturbações psicológicas no nosso país”.
Num mundo onde muitas das profissões do futuro ainda nem existem, e em que a ideia de “curso com saída” perdeu sentido face à rapidez com que tudo muda, uma carreira só é verdadeiramente bem-sucedida quando está alinhada com a identidade, os valores e as motivações de cada um.
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