A história da inteligência artificial começa formalmente na década de 1950, num contexto marcado pelo pós guerra, pelo avanço da computação e pelo interesse em compreender a mente humana de forma científica.
A inteligência artificial é um ramo da ciência da computação que se dedica ao desenvolvimento de sistemas capazes de executar tarefas que, tradicionalmente, exigiriam inteligência humana. Estas tarefas incluem a perceção do ambiente, a compreensão da linguagem natural, o raciocínio lógico, a aprendizagem a partir da experiência e a tomada de decisões em contextos complexos e incertos. Ao contrário do software tradicional, que segue regras rigidamente programadas, a inteligência artificial distingue-se pela sua capacidade de adaptação, generalização e melhoria contínua com base em dados.
Na sua essência, a inteligência artificial assenta em modelos matemáticos e estatísticos que permitem representar padrões do mundo real. Estes modelos são treinados com grandes volumes de dados, a partir dos quais aprendem correlações, tendências e estruturas subjacentes. Quanto maior e mais representativo for o conjunto de dados, maior tende a ser a capacidade do sistema para produzir resultados fiáveis. Este paradigma transformou profundamente a forma como se desenvolve tecnologia, deslocando o foco da programação explícita para o treino e validação de modelos.
Um dos conceitos centrais da inteligência artificial moderna é o de aprendizagem automática, ou machine learning. Trata-se de um subconjunto da IA que permite aos sistemas aprenderem a partir de dados sem serem explicitamente programados para cada tarefa. A aprendizagem automática pode ser supervisionada, quando o sistema aprende a partir de exemplos rotulados, não supervisionada, quando identifica padrões sem rótulos prévios, ou por reforço, quando aprende através de tentativa e erro com base em recompensas e penalizações. Estes métodos estão hoje presentes em áreas tão diversas como a deteção de fraude, o diagnóstico médico ou a previsão de procura.
Outro domínio fundamental é o processamento de linguagem natural, que permite às máquinas compreenderem, interpretarem e gerarem linguagem humana. Graças a avanços significativos nesta área, é hoje possível interagir com sistemas de inteligência artificial através de texto ou voz de forma cada vez mais natural. Estes sistemas conseguem resumir documentos, traduzir textos, responder a perguntas complexas e apoiar a produção de conteúdos escritos, alterando de forma profunda a relação entre o ser humano e a tecnologia.
A visão por computador constitui igualmente um pilar relevante da inteligência artificial. Através desta área, os sistemas conseguem interpretar imagens e vídeos, identificar objetos, reconhecer rostos ou detetar comportamentos. Estas capacidades têm aplicações diretas na segurança, na indústria, na saúde e nos transportes, permitindo desde a vigilância inteligente até à condução autónoma. A capacidade de transformar informação visual em dados acionáveis representa uma das maiores revoluções tecnológicas das últimas décadas.
Importa distinguir entre diferentes níveis de inteligência artificial. A maioria das soluções atualmente em uso enquadra-se no conceito de inteligência artificial estreita, concebida para executar tarefas específicas de forma altamente eficiente. Não existe, até à data, inteligência artificial geral, isto é, sistemas com capacidade cognitiva equivalente à humana em múltiplos domínios. Esta distinção é essencial para compreender tanto o potencial real da tecnologia como os limites atuais e evitar perceções erradas ou alarmistas.
A adoção crescente da inteligência artificial levanta questões éticas, jurídicas e sociais de elevada complexidade. Entre os principais desafios encontram-se a transparência dos algoritmos, o risco de enviesamento dos dados, a proteção da privacidade, a responsabilidade pelas decisões automatizadas e o impacto no mercado de trabalho. Estes temas têm motivado uma resposta regulatória crescente, em particular na União Europeia, que procura garantir que o desenvolvimento e utilização da IA respeitam os direitos fundamentais e os princípios do Estado de direito.
No contexto organizacional e institucional, a inteligência artificial deve ser encarada como um instrumento de apoio à decisão e não como um substituto do julgamento humano. Quando corretamente utilizada, permite melhorar a qualidade da informação disponível, reduzir tempos de análise, identificar riscos ocultos e apoiar decisões mais fundamentadas. A sua eficácia depende, no entanto, de políticas claras de utilização, de formação adequada dos utilizadores e de uma governação tecnológica responsável.
A inteligência artificial está igualmente a transformar o modo como se produz conhecimento e se comunica informação. Ferramentas baseadas em IA permitem hoje analisar grandes volumes de documentos, extrair sínteses, produzir relatórios técnicos e apoiar a escrita profissional com níveis de qualidade e consistência anteriormente difíceis de alcançar. Este fenómeno tem impacto direto na administração pública, no jornalismo, na investigação e na produção de políticas públicas.
A inteligência artificial não é uma tecnologia do futuro, mas uma realidade do presente com impacto transversal na sociedade. O seu verdadeiro valor não reside apenas na sofisticação técnica dos algoritmos, mas na forma como é integrada de modo responsável, estratégico e ético nos processos humanos e institucionais. A compreensão clara do que é a inteligência artificial constitui, por isso, um passo essencial para um debate público informado e para decisões políticas sustentadas.
A história da inteligência artificial começa formalmente na década de 1950, num contexto marcado pelo pós guerra, pelo avanço da computação e pelo interesse em compreender a mente humana de forma científica. Em 1950, Alan Turing publicou o artigo “Computing Machinery and Intelligence”, onde colocou a célebre questão “podem as máquinas pensar?” e propôs o chamado Teste de Turing como critério operacional para avaliar comportamento inteligente em máquinas. Este momento é geralmente considerado o ponto de partida conceptual da inteligência artificial enquanto disciplina científica.
O termo inteligência artificial foi cunhado em 1956, durante a conferência de Dartmouth, organizada por John McCarthy, Marvin Minsky, Nathaniel Rochester e Claude Shannon. A ambição expressa nesse encontro era clara e, hoje, reconhecidamente otimista: assumir que todos os aspetos da aprendizagem e da inteligência humana poderiam ser descritos com suficiente precisão para serem reproduzidos por uma máquina. Esta fase inicial foi marcada por grande entusiasmo, forte financiamento e expectativas muito elevadas quanto à rápida evolução da tecnologia.
Durante as décadas de 1960 e 1970, a investigação em inteligência artificial concentrou-se sobretudo em sistemas simbólicos, baseados em regras lógicas e representação explícita do conhecimento. Surgiram programas capazes de resolver problemas matemáticos, jogar xadrez a níveis razoáveis ou simular diálogos simples. No entanto, estes sistemas revelaram-se frágeis fora de contextos muito controlados, incapazes de lidar com ambiguidade, incerteza ou ambientes dinâmicos, o que conduziu a uma crescente frustração face às promessas iniciais.
Esse desfasamento entre expectativas e resultados deu origem ao primeiro “inverno da inteligência artificial” nos anos 1970, caracterizado por cortes significativos de financiamento e perda de interesse político e científico. Um segundo inverno ocorreria no final dos anos 1980, após o declínio dos sistemas periciais, que haviam sido amplamente adotados em ambientes empresariais mas se revelaram caros, difíceis de manter e pouco adaptáveis a mudanças. Estes períodos foram fundamentais para disciplinar o campo e clarificar os seus limites reais.
A partir da década de 1990, a inteligência artificial entrou numa nova fase, impulsionada pelo aumento da capacidade computacional, pela disponibilidade de grandes volumes de dados e pelo desenvolvimento de métodos estatísticos mais robustos. A aprendizagem automática começou a substituir progressivamente os sistemas baseados exclusivamente em regras, permitindo que os modelos aprendessem padrões diretamente a partir dos dados. Um marco simbólico deste período foi a vitória do sistema Deep Blue da IBM sobre o campeão mundial de xadrez Garry Kasparov, em 1997.
Nos anos 2000 e, sobretudo, a partir de 2010, assistiu-se à consolidação do chamado deep learning, uma abordagem baseada em redes neuronais artificiais profundas. Estes modelos demonstraram capacidades sem precedentes em áreas como reconhecimento de imagem, tradução automática, processamento de linguagem natural e análise de voz. O sucesso do deep learning deveu-se à conjugação de três fatores críticos: dados massivos, hardware especializado e algoritmos mais eficientes.
A década de 2010 marcou a transição da inteligência artificial do laboratório para o quotidiano. Assistentes virtuais, sistemas de recomendação, deteção automática de fraude, veículos autónomos em fase experimental e ferramentas de apoio à escrita tornaram-se parte integrante da vida social, económica e institucional. A inteligência artificial deixou de ser um tema exclusivo da academia e passou a influenciar diretamente políticas públicas, modelos de negócio e relações de poder à escala global.
Atualmente, a história da inteligência artificial entra numa fase de maturidade crítica, em que o foco já não se limita à capacidade técnica, mas se estende às implicações éticas, jurídicas e geopolíticas. O debate contemporâneo centra-se na governação da tecnologia, na proteção dos direitos fundamentais, na segurança e na soberania digital. A história da inteligência artificial mostra, assim, um percurso cíclico de ambição, desilusão, aprendizagem e consolidação, cuja compreensão é essencial para evitar erros do passado e orientar decisões futuras de forma responsável.
A história da inteligência artificial começa formalmente na década de 1950, num contexto marcado pelo pós guerra, pelo avanço da computação e pelo interesse em compreender a mente humana de forma científica.
É de extrema importância munir as nossas cidades com tecnologia de vídeovigilância para a salvaguarda das pessoas e bens, mas Portugal está a ficar para trás face a outros países europeus.
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