Portugal e Angola: uma história de relações de diplomacia e arrufos

Carolina R. Rodrigues 17 de setembro de 2018

O primeiro-ministro iniciou uma visita oficial a Angola no domingo, algo que já não acontecia desde 2011. Ultrapassada a questão judicial contra o antigo vice-presidente de Angola, António Costa e João Lourenço vão focar-se em assuntos de cooperação económica, agricultura, fisco e relações bilaterais.

Há 2498 dias que um líder de um Executivo português não visitava Angola – a última vez foi em 2001, quando Pedro Passos Coelho era o chefe de Governo. A visita, de domingo a terça-feira, irá pôr fim a um hiato de sete anos cujas razões para a sua existência não são claras. O certo é que durante estes últimos anos, a relação entre Portugal e Angola teve alguns momentos de tensão.

António Costa chega a Luanda para uma visita oficial de dois dias e assume uma perspectiva optimista sobre o futuro das relações bilaterais entre as duas nações, falando numa "nova fase" ao jornal Público. Para o primeiro-ministro, esta faz-se com a introdução de "novos protagonistas", aludindo à substituição de José Eduardo dos Santos por João Lourenço, e com o fim do "irritante": o caso contra Manuel Vicente, cujo fim poderá ter normalizado as relações luso-angolanas.

Segundo as mais altas entidades dos dois países, os tempos da relação são outros e exemplo disso são as cartas enviadas pelo presidente angolano a António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, como "sinal das boas relações" entre os dois países, e a presença do Presidente da República portuguesa na cerimónia a tomada de posse de João Lourenço como novo presidente de Angola, há um ano. Este evento, porém, ficou marcado por uma certa tensão entre os dois Governos, com João Lourenço a excluir deliberadamente o nome "Portugal" dos  "importantes parceiros" económicos da nação africana – como Estados Unidos da América, a China, a Rússia, o Brasil, a Índia, o Japão e até Espanha -, acrescentando "outros parceiros não menos importantes, desde que respeitem a nossa soberania", numa expressão que foi entendida como uma crítica ao governo português, na altura a debater-se com o caso Manuel Vicente.

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