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Oposição acusa Moedas de dificultar participação de lisboetas em reuniões públicas

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O PS disse à Lusa que tem, "há muito, conhecimento de vários relatos e queixas de munícipes que sentiram dificuldade ou mesmo impedimento em assistir e participar nas reuniões públicas sem razão atendível".

A oposição em Lisboa acusa a governação de Carlos Moedas de dificultar a participação de munícipes nas reuniões públicas e de falta de transparência na seleção das intervenções, enquanto PSD/CDS-PP/IL garante que regras não mudaram e rejeita critérios políticos.

Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa
Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa Lusa

As críticas dos vereadores da oposição têm sido recorrentes nas reuniões públicas do executivo desde o mandato anterior (2021-2025) do social-democrata Carlos Moedas, mas têm subido de tom nas últimas sessões, em particular na última, que encerrou com uma discussão acesa entre o vereador do PCP e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML).

O comunista João Ferreira defendia que fosse autorizada a intervenção de munícipes cuja inscrição não foi aceite, alegando a falta de comparência de alguns dos selecionados, tendo chegado mesmo a ser votada esta proposta, que acabou chumbada pela maioria absoluta de Moedas.

Questionados pela Lusa, todos os partidos da oposição - PS, Livre, BE, PCP e Chega - convergiram nas críticas ao modelo de funcionamento das reuniões públicas que tem sido seguido pela liderança PSD/CDS-PP/IL, sobretudo no que consideram ser obstáculos à participação dos cidadãos, falta de condições da sala e ausência de transparência dos critérios de escolha das 15 intervenções.

O PS disse à Lusa que tem, "há muito, conhecimento de vários relatos e queixas de munícipes que sentiram dificuldade ou mesmo impedimento em assistir e participar nas reuniões públicas sem razão atendível", situação que considerou "preocupante e inaceitável".

O principal partido da oposição apontou também limitações à entrada de munícipes na Sala do Arquivo, onde as sessões públicas decorrem desde que Moedas chegou à CML, e o encaminhamento para outra sala onde assistem através de um televisor, considerando que tal "não contribui para fomentar uma relação de proximidade e confiança entre os lisboetas e os órgãos municipais".

Por isso, o PS defende a utilização de um espaço mais adequado à participação pública, como o que era usado anteriormente, a criação de uma bolsa de suplentes para os casos de falta de comparência e, relativamente à seleção das intervenções, vai propor uma alteração ao regulamento assente "num modelo de sorteio aleatório", que assegure transparência, rigor e objetividade.

O objetivo é garantir que as reuniões públicas "sejam verdadeiros espaços de participação democrática, abertos aos cidadãos e protegidos de qualquer suspeita de instrumentalização política".

Também o Livre relatou queixas de munícipes, como pessoas que se inscrevem logo na abertura do processo e não são selecionadas, ou que se inscrevem recorrentemente e "nunca são escolhidas", assim como associações de pais e de moradores que deixaram de ter prioridade com o novo regimento.

Tal como o PS, o Livre defende a criação de uma lista de suplentes, denunciando casos de munícipes com inscrição aceite e que avisaram antecipadamente da impossibilidade de estarem presentes e que, mesmo assim, são mantidos na lista, considerando que a intenção do presidente da CML "poderá ser a de abreviar as reuniões".

Segundo o Livre, no atual mandato (2025-2029) registaram-se, até ao momento, "uma média de cerca de 47 pedidos inscritos para cada conjunto de 15 vagas disponíveis por reunião (ou seja, apenas cerca de 32% dos pedidos de inscrição são aceites)".

Por isso, o partido exige "critérios claros e transparentes", dando prioridade a situações de emergência ou assuntos de interesse coletivo, e a utilização de um local mais adequado em termos de acústica, iluminação, ventilação e espaço para receber munícipes que queiram assistir, mesmo sem intervenção prevista.

Para o BE, "Moedas transformou a participação pública num instrumento de gestão política da sua imagem, selecionando quem pode falar para ocultar os problemas de Lisboa e promover a narrativa do executivo".

Acusando a liderança de criar obstáculos à participação, a vereação bloquista denunciou que na última reunião "um assessor direto do presidente tentou exigir a credenciação de uma munícipe para poder assistir aos trabalhos, tendo sido desautorizado pelos próprios serviços municipais, que esclareceram não existir qualquer obrigação legal nesse sentido".

O BE criticou também a "resistência" do presidente da CML em dar voz a munícipes, considerando ser "mais um sinal da asfixia democrática que tem marcado os mandatos de Carlos Moedas".

"A democracia local só existe plenamente quando os cidadãos podem participar livremente e sem discriminações", salientou.

O PCP também lamentou o sistemático impedimento de acesso à sala de reuniões, "por orientações do presidente da câmara, mesmo quando há lugares vagos", e adiantou que, "infelizmente, se tornou uma situação corrente" receber queixas de munícipes.

Relativamente à seleção, o PCP afirmou que "a escolha é feita pelo presidente, sem que os critérios sejam conhecidos", defendendo que devem ser privilegiados assuntos de interesse geral e que os casos individuais, que atualmente são apresentados, como situações de violência doméstica ou conflitos entre vizinhos, devem ser resolvidos sem os expor publicamente.

A par disso, os comunistas criticaram as "formas artificiosas de diminuir o número de munícipes que efetivamente intervêm", uma vez que parte dos escolhidos vê os problemas resolvidos antes da reunião.

Para o Chega, "Moedas está a demonstrar que convive mal com a democracia", ao insistir no uso de uma sala que não garante as condições para acomodar vereadores, assessores e munícipes, quando existe um local adequado, cuja utilização preferencial está prevista no regimento.

Quanto ao processo de escolha das intervenções, o Chega queixou-se da ausência de critérios e alegou que a decisão cabe a um assessor do presidente que "escolhe ou elimina os munícipes, de acordo com a simpatia e conveniência dos temas", e que "prepara as reuniões públicas que, na maior parte dos casos, não passam de ações de propaganda", defendendo que o critério principal deve ser o da inscrição e antiguidade, com a admissão de suplentes.

Questionado pela Lusa, o gabinete de Carlos Moedas rejeitou que exista uma seleção com base em critérios políticos e assegurou que a definição das regras "permanece semelhante desde os anteriores mandatos autárquicos" e, por isso, "permanecem também inalteradas a sua clareza e transparência".

A CML lamentou ainda que "alguns grupos políticos incentivem munícipes que não estão inscritos para intervir a deslocar-se ao local onde decorre as sessões, transmitindo-lhes a expectativa de que poderão intervir", e considerou que levantar "suspeitas de natureza política", quando as regras são "conhecidas há vários anos", desvaloriza as preocupações, problemas e contributos dos lisboetas.

Quanto ao local, a CML adiantou que a Sala das Sessões Públicas, prevista no regimento, está em obras e reconheceu as limitações da Sala do Arquivo, com capacidade reduzida, o que "implica necessariamente a gestão do número de pessoas", assegurando aos munícipes sem intervenção prevista a possibilidade de assistirem noutra sala.

Relativamente ao preenchimento de um formulário à chegada, a autarquia justificou que decorre das obrigações previstas no Regulamento Geral de Proteção de Dados.

"A participação dos munícipes contribui para uma gestão mais aberta e para uma melhor compreensão das necessidades e preocupações da cidade", realçou a CML, ressalvando que a auscultação dos lisboetas não se esgota nas reuniões públicas, uma vez que "o presidente e os vereadores com pelouro mantêm uma prática regular de atendimento, contacto e reunião com cidadãos, associações e entidades".

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