Sábado – Pense por si

Contos Clássicos Portugueses


agora disponíveis para ler e ouvirContos Clássicos PortuguesesAceder aqui

Onde estava a 28 de fevereiro de 1969? Iniciativa recolhe memórias do terramoto que abanou o País

As mais lidas

Chama-se “As Memórias de 1969” e lança um convite aberto ao público com o objetivo de criar um arquivo de histórias. Várias personalidades já deram os seus testemunhos, que serão partilhados a partir de sábado.

O Movimento Recordar 1755 colocou em marcha uma nova iniciativa que desafia os portugueses a partilharam as suas memórias de 28 de fevereiro de 1969, dia em que um terramoto foi sentido um pouco por todo o país, com maior intensidade de Lisboa ao Algarve, e cuja magnitude oscilou entre VII e VIII na escala de Richter. “As Memórias de 1969” é uma iniciativa liderada pelo Quake – Museu do Terramoto que tem por objetivo construir um arquivo que reforce “a consciência sísmica” da população.

Júlio Isidro, em  “As Memórias de 1969”
Júlio Isidro, em “As Memórias de 1969” Quake - Museu do Terramoto

Este será um arquivo vivo, composto por testemunhos gravados em vídeo. E o primeiro momento público destas memórias será a publicação das histórias contadas por várias personalidades nacionais ligadas à cultura, como Júlio Isidro, Cândido Mota, Ana Maria Magalhães e João d’Ávila. “Um contributo único, emocional e profundamente humano para a memória coletiva do país, retratando de forma genuína e autêntica os momentos vividos naquela madrugada”, lê-se no comunicado de imprensa enviado pelo Quake. A partir desde sábado, 28 de fevereiro, e durante as primeiras duas semanas de março, o museu lisboeta irá partilhar os vídeos nas suas redes sociais, entre o Youtube, Facebook, Instagram, TikTok e Linkedin.

Mas esta ação será apenas o ponto de partida para um arquivo que se quer de todos. O convite para a partilha está aberto a todos os que viveram o terramoto de 1969, que podem gravar pequenos vídeos da sua história, com os hashtags #recordar1755 e #asmemoriasde1969, de forma a facilitar a pesquisa.

"Lisboa apavorada veio para a rua"

Foi esta a manchete do Diário de Lisboa (DL) de 28 de fevereiro de 1928. Nessa madrugada, pouco antes das quatro da manhã, a cidade abanou de forma violenta e prolongada, por cerca de um minuto "que durou horas", escrevia o DL, jornal que nessa sexta-feira publicou três edições. E ainda houve um segundo sismo, de intensidade mais fraca, pelas 5h28. Nas primeiras duas horas, o Hospital de São José, na capital, registava "uma centena de casos", na sua maioria "choques emocionais e traumatismos".

Diário de Lisboa de 28 de fevereiro de 1969
Diário de Lisboa de 28 de fevereiro de 1969

Mas o terramoto fez-se sentir um pouco por todo país, até mesmo em Bragança. Na cidade do Porto, por exemplo, milhares de pessoas também ficaram em sobressalto, estivessem em casa a dormir ou em espaços noturnos. "Nas boîtes, onde, momentos antes, os pares rodopiavam ao som das orquestras deram-se cenas indescritíveis de pavor, que aumentou pela falta momentânea da luz", descreve um dos repórteres do diário alfacinha. As contas finais, e nacionais, são de 13 vítimas mortais, duas como sequência direta do sismo.

Artigos Relacionados