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José Luís Carneiro salienta que PS não quer ser "fator de crise"

Lusa 21:01
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O líderdo PS recusou-se a comentar as recentes críticas do ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho ao Governo da AD.

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, salientou esta sexta-feira que o seu partido é um "fator de estabilidade", faz "oposição firme, mas construtiva" ao Governo, mas não quer ser "fator de crise".

José Luís Carneiro aborda a situação política em Portugal
José Luís Carneiro aborda a situação política em Portugal JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA_EPA

O líder e recandidato à liderança do PS recusou-se a comentar as recentes críticas do ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho ao Governo da AD, que acusou de "não ter vontade nem ímpeto reformista" na saúde, nas questões laborais e na competitividade da economia.

"Não vou comentar a vida interna dos outros partidos, mas, como disse o próprio Luís Montenegro, é um pouco pitoresco aquilo que se está a passar na AD, com o ex-primeiro-ministro a dizer que, de facto, a AD não tem vontade nem ímpeto reformista para fazer aquilo de que o país precisa", declarou José Luís Carneiro aos jornalistas, à entrada de uma sessão com representantes da sociedade civil e militantes da Guarda.

O dirigente socialista referia-se a reformas "na saúde, nas questões laborais, no que tem a ver com a competitividade da nossa economia, com a criação de emprego, com o pagamento de melhores salários e com a política fiscal".

Questionado se Passos Coelho tem feito mais oposição ao Governo do que os socialistas, José Luís Carneiro respondeu que "o PS é um fator de estabilidade e quer contribuir para o seu país".

"Sempre afirmei que seríamos uma oposição firme, mas, simultaneamente, construtiva. Sempre que formulámos uma crítica apresentámos propostas alternativas. Foi o que fiz, há dias, quando apresentei propostas para proteger as famílias, os trabalhadores, as empresas e as autarquias" na sequência das tempestades.

O secretário-geral do PS acrescentou que o partido tem "esse sentido de compromisso com o interesse do país que vai permitir que sejamos capazes de construir uma relação de confiança que, no futuro, nos levará de novo a exercer funções governativas".

"As pessoas podem confiar em nós, porque não somos fator de crise ou de instabilidade. mas claro que se um dia se colocarem essas questões, nós estaremos preparados para todas as responsabilidades", garantiu.

Na Guarda, José Luís Carneiro veio apresentar, entre outras propostas da sua moção de estratégia, os contratos territoriais de desenvolvimento, que considerou "o instrumento para responder à necessidade de coesão económica, social e territorial do país".

"Eles mobilizarão para o território quer a política económica, quer a política fiscal, quer os fundos europeus, quer os fundos nacionais, proporcionando e garantindo melhores condições de vida, de trabalho, de salários dignos e de coesão económica e social", afirmou.

José Luís Carneiro abordou também o tema da regionalização para reiterar que pretende a avaliar a descentralização e a desconcentração de poderes nas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regionais.

Avançará depois com a proposta de realização de um referendo para "perguntar aos portugueses se querem que as funções das Comissões de Coordenação sejam de nomeação do Governo ou que sejam de escolha popular, de escolha eleitoral".

O líder socialista garantiu que o PS está preparado para "defender" estas propostas, mas assumiu que o assunto tem "um tempo de amadurecimento e um tempo político".

"Sei que o primeiro-ministro é desfavorável [à regionalização], mas há ministros que são favoráveis. Por exemplo, o ministro da Coesão, Castro Almeida, sempre foi um regionalista e, portanto, espero que no futuro possamos contar com as vontades daqueles que sempre defenderam a regionalização".

José Luís Carneiro acrescentou que a regionalização "não pode servir para criar mais lugares".

"Temos de recusar a ideia de que sirva para criar mais lugares, mas deve servir para aproximar o poder das populações e para responder também de forma mais rápida às necessidades de desenvolvimento dos territórios para a criação de emprego e de oportunidades, de valorização da economia regional".