PSP fala da necessidade de garantir a segurança. Sporting de Braga acusa autoridades de censura. Um adepto foi detido e um agente ficou ferido.
O dérbi minhoto foi marcado por confrontos entre os adeptos do Sporting de Braga e a PSP. Pelo menos 50 adeptos do Sporting de Braga e Vitória de Guimarães foram detidos e uma pessoa foi detida. Foi ainda proibida a exibição de uma tarja por parte da equipa da casa. Um homem foi detido pelo "crime de ameaças a agente de autoridade" e pelo menos um agente da PSP ficou ferido e necessitou de assistência hospitalar.
Dérbi minhoto: PSP garante segurança, Braga denuncia censura das autoridadesSporting de Braga
Num comunicado emitido este domingo, a Polícia de Segurança Pública (PSP) indica que, durante a intervenção, 42 adeptos foram identificados por tentarem impedir a ação policial através do acesso forçado ao interior do Estádio Municipal de Braga para assistir à partida da 23.ª jornada da I Liga de futebol que terminou com a vitória da equipa que jogava em casa por 3-2. A PSP deteve também um homem pelo "crime de ameaças a agente de autoridade" e identificou 10 adeptos por incumprimento do dever de correção e moderação.
O comunicado refere ainda que a PSP decidiu proibir uma coreografia preparada pelos bracarenses depois de detetar, numa das bancadas, duas lonas previamente instaladas, incluindo uma estrutura de cerca de 2.500 metros quadrados, composta por rede de suporte, lonas pintadas, uma estrutura metálica tubular de aproximadamente 100 metros e centenas de "metros de comprimento e várias centenas de metros de cordame destinado à sua elevação". Segundo o comunicado, devido à natureza inflamável da rede de suporte, lonas, tintas e cabos e à sua proximidade com fontes de calor (pirotecnia usada pelos adeptos), o comandante do policiamento "determinou a inviabilização total da coreografia, face aos riscos reais e significativos para a integridade física dos adeptos presentes na bancada nascente".
Na sequência do comunicado do Comando Distrital de Braga, o Sporting de Braga voltou a reagir, considerando que a PSP confirmou ter censurado o clube e os seus adeptos, ao proibir a exibição da tarja produzida pelos bracarenses para o dérbi do Minho, e rejeitando o argumento dos riscos provocados pela próxima do material da coreografia em questão e os artefactos pirotécnicos de projeção e o clube diz que não foi chamado para seren "tomadas medidas para anular esses mesmos riscos". Refere ainda que a atuação da polícia foi censória ("não podendo deixar de ser notado o forte odor a outros tempos, nada saudosos"), afirmando que as forças policiais não permitiram que se erguesse a tarja devido à mensagem que a mesma passava.
O comunicado da PSP confirma que a PSP de Braga comunicou, no passado dia 9 de fevereiro, "a intenção de não autorizar as referidas coreografias, considerando que as mensagens nelas apostas não evidenciavam qualquer manifestação clara e inequívoca de apoio à equipa ou à sociedade desportiva interveniente, neste caso o Sporting Clube de Braga".
"Importa concluir, mais uma vez, que a censura de uma mensagem de exaltação da história da cidade e do orgulho do Clube em se associar a esta não pode passar em claro e exige tomadas de posição de diversas entidades, que felizmente nos têm feito chegar a sua preocupação e até a sua reprovação", lê-se no comunicado.
Em comunicado emitido este sábado, os 'arsenalistas' mostraram-se ofendidos, queixaram-se de uma "postura intransigente e autista" por parte da PSP e anunciaram que iriam solicitar "reuniões de emergência" e instar a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a LPFP "a posicionarem-se" sobre o caso. A LPFP confirmou que "respondeu afirmativamente" ao pedido dos 'arsenalistas', agendando uma reunião para quarta-feira, e avançou que pretende "ver esclarecido o incidente", uma vez que a exibição da tela de promoção estava "previamente aprovada pelo organismo".
"A PSP tem como missão máxima a garantia da ordem pública e violou de forma flagrante essa incumbência, tendo de assumir por inteiro as infelizes consequências que das suas decisões resultaram, nomeadamente as agressões a sócios e adeptos, entre os quais idosos e crianças", refere o clube. Circula nas redes sociais o vídeo de um agente a empurrar uma adepta do clube que cai no chão a seguir ao empurrão.
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Tensão na Pedreira entre adeptos do Sp. Braga e a PSP: intervenção policial derrubou um apoiante arsenalista
O jogo arrancou com um atraso de 35 minutos na abertura de portas devido ao arremesso de tochas incandescentes para o relvado, o que terá exaltado os ânimos dos adeptos que tentaram forçar a entrada.
No clássico de sábado foram ainda apreendidos 23 títulos de livre-trânsito titulados pelo Sporting de Braga sem identificação nominal, dois alicates, quatro artefactos pirotécnicos ilícitos, um gorro passa-montanhas e uma lona plástica usada para "ocultação de identidade", revela o comunicado.
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