Ministro da Defesa diz que não tem mandato para se pronunciar sobre o tema.
O ministro da Defesa, Nuno Melo, escusou-se esta sexta-feira a falar sobre um eventual envio de militares portugueses para a Gronelândia, alegando que não tem mandato para tal, e remeteu para o Conselho Superior de Defesa Nacional.
Nuno Melo escusa-se a falar sobre eventual envio de militares portugueses para a GronelândiaANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
"As missões em que as forças portuguesas intervenham são sempre discutidas em Conselho Superior de Defesa Nacional, que é convocado pelo Presidente da República, e, logo, a questão não se põe", afirmou o governante.
Questionado pelos jornalistas sobre o envio de tropas no âmbito da NATO, após uma cerimónia de juramento de bandeira realizada em Évora, Nuno Melo respondeu que, como ministro da Defesa, nem sequer tem mandato para se pronunciar sobre o tema.
O presidente dos Estados Unidos tem manifestado a intenção de anexar a Gronelândia e países como a França, Alemanha, Suécia, Noruega, Finlândia e Países Baixos anunciaram que participariam numa missão militar europeia na ilha para ajudar a Dinamarca.
Nas declarações aos jornalistas, o ministro da Defesa Nacional lembrou que "a Gronelândia é uma região autónoma da Dinamarca com um estatuto muito especial" e defendeu que o destino da ilha "pertence ao povo da Gronelândia e ao povo dinamarquês".
"E o que esperamos é que os aliados se comportem como aliados", reiterou Nuno Melo, numa alusão às ameaças dos Estados Unidos, membro fundador da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês), sobre a Gronelândia.
Quanto à cerimónia militar, que juntou cerca de 500 militares, o governante destacou que foi "um dos maiores juramentos de bandeira dos últimos anos" em Portugal e aproveitou a ocasião para destacar o aumento do número de militares.
"Depois de 15 anos com os números do recrutamento sempre a cair, conseguimos inverter esse ciclo" e, agora, regista-se "um aumento, desde logo, no Exército de perto de 13,5% dos recrutas", salientou.
O ministro considerou que este crescimento acontece depois de "20 meses a investir muito" nas Forças Armadas: "Quando se valoriza a condição militar e dignificam as Forças Armadas, os resultados acontecem", congratulou-se.
Segundo Nuno Melo, Portugal tem agora quase 24 mil militares, que comparou com os cerca de 22 mil que existiam quando iniciou funções, em meados de abril de 2024.
"Os números estão a crescer, mas a crescer consistentemente e nos três ramos das Forças Armadas. É evidente que este esforço também tem que ser permanente para que se perceba que o que está a acontecer não é um epifenómeno, não é uma circunstância casual", realçou.
De acordo com o titular da pasta da Defesa Nacional, "se o ritmo que foi conseguido em 20 meses se mantiver, a médio prazo", o país atingirá um número "próximo dos 30 mil" militares.
Na quarta-feira, os chefes da diplomacia da Dinamarca e da Gronelândia reuniram-se na Casa Branca com o secretário de Estado dos Estados Unidos (EUA), Marco Rubio, e o vice-presidente norte-americano, JD Vance.
No final, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, disse que se mantinha uma "divergência fundamental" com os EUA e que "é evidente que o Presidente Donald Trump nutre o desejo de se apoderar da Gronelândia".
O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem reiterado a intenção de os Estados Unidos assumirem o controlo da Gronelândia, "a bem ou a mal".
A Gronelândia é um território autónomo sob soberania da Dinamarca, estrategicamente localizado no Ártico, com uma população de cerca de 50 mil pessoas.
Nuno Melo escusa-se a falar sobre eventual envio de militares portugueses para a Gronelândia
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