Manifestação contra a reforma laboral realizou-se esta sexta-feira em Lisboa e juntou políticos de vários partidos. O BE garantiu que "a versão entregue é mais grave do que a anterior". Já o PCP acusou o Governo de "tentar impor pela janela aquilo que não conseguiu pela porta".
Milhares de pessoas marcharam esta sexta-feira em Lisboa contra a reforma laboral proposta pelo Governo. Os manifestantes, que caminharam durante três quilómetros para criticar esta medida, acusaram o Governo de querer "trabalho escravo": dizem que agora vão ter de trabalhar mais enquanto que o dinheiro que ganham mal chega para se sustentarem.
Manifestantes participam no protesto nacional ANTÓNIO COTRIM/LUSA
"Continuamos a ter neste pacote laboral a possibilidade de o trabalhador, que entra hoje para o mundo do trabalho, estar a sua vida inteira sempre numa situação de precariedade, porque um dos motivos justificativos é nunca ter tido na sua vida um trabalho efetivo. Quer dizer que o trabalhador pode estar convicto de que estará em trabalho precário toda a sua vida", lamentou o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, em declarações aos jornalistas.
E acrescentou: "É a desregulação dos horários de trabalho, é o banco de horas individuais que são 150 horas de trabalho extraordinário de graça para os patrões... Tudo isto é um ataque à contratação coletiva e tudo isto tem sido combatido pelos trabalhadores".
A manifestação foi convocada pela CGTP e nela foram várias as pessoas que ergueram cartazes com os slogans: "É possível uma vida melhor" ou "Não vamos desistir. O pacote laboral é para cair". Muitas vieram até de outros cantos do país como Leiria ou Porto.
Na manifestação esteve também presente o coordenador do Bloco de Esquerda: "Vamos sabendo a cada dia que passa que a versão que é entregue [pelo Governo] às forças sociais é mais grave do que a versão anterior e o que se prepara é o que estava presente desde o princípio", criticou José Manuel Pureza.
O coordenador acusou ainda o Executivo de "prepotência" e de não ter "nenhuma vontade de negociar" e garantiu que este "está cada vez mais isolado".
Quem também marchou contra a proposta de pacote laboral foi o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo. "Nós precisamos é de mais salários e não de medidas como o banco de horas individual, que na prática o que fazem é aumentar o numero de horas. Os trabalhadores não servem para isso." O comunista acusou ainda o Executivo de estar a "tentar impor pela janela aquilo que não conseguiu pela porta". "Têm a resposta aqui."
Na quinta-feira, a proposta apresentada pelo Governo foi chumbada por "unanimidade" pela UGT e para esta sexta-feira à tarde está prevista uma nova ronda de negociação entre a ministra do Trabalho e a concertação social, que reúne trabalhadores e patrões.
As negociações parecem, no entanto, não ter pernas para andar uma vez que, além de a proposta ter sido chumbada, a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, não se mostrou aberta para continuar com este processo. Avançou até mesmo que o mesmo iria "terminar nos próximos dias" e que vai avançar "de uma forma ou de outra".
Nesse mesmo dia, o secretário-geral da CGTP Tiago Oliveira acusou o Executivo de contribuir para a "degradação das condições de vida de quem trabalha" e Mário Mourão, da UGT, reconheceu que ambos estão "longe de um acordo".
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