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CGTP acusa Governo de querer avançar "à socapa" com pacote laboral "contra trabalhadores"

Nos últimos meses, o Governo tem reunido com a UGT e com as quatro confederações empresariais, deixando a CGTP de fora dos encontros.

O secretário-geral da CGTP reiterou esta segunda-feira que a central "não quer participar em reuniões paralelas", defendendo que a discussão da lei laboral deve ser na Concertação Social, e acusou o Governo de debater "à socapa" contra os trabalhadores.

Milhares de trabalhadores da CGTP em manifestação na Avenida da Liberdade
Milhares de trabalhadores da CGTP em manifestação na Avenida da Liberdade António Cotrim/Lusa_EPA

"O que este processo tem demonstrado é que o Governo está a tentar cozinhar a sua estratégia à margem das reuniões de Concertação Social e está aqui mais uma vez demonstrado o afastamento da CGTP de todo este processo", afirmou o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, em conferência de imprensa em frente do Ministério do Trabalho, horas antes de o Governo receber a UGT e as quatro confederações empresariais para uma reunião sobre as alterações à lei laboral.

Tiago Oliveira acusou o executivo liderado por Luís Montenegro de querer avançar "à socapa" com um pacote laboral "que vai contra os trabalhadores", insistindo que é "profundamente antidemocrático" e "anticonstitucional".

Nos últimos meses, o Governo tem reunido com a UGT e com as quatro confederações empresariais, deixando a CGTP - que também tem assento na Concertação Social e chegou a apresentar uma contraproposta numa reunião bilateral em 03 de setembro - de fora dos encontros, com o executivo a argumentar que a central sindical se colocou desde o início à margem das negociações ao pedir a retirada da proposta.

O líder da CGTP reiterou que "não quer participar em reuniões paralelas" e insiste que o processo negocial deve decorrer em sede de reuniões plenárias da Concertação Social.

"Há um espaço para isto, que é o espaço da Concertação Social, e aquilo que exigimos é que esta discussão seja levada à Concertação Social", referiu.

Questionado sobre o facto de a ministra do Trabalho ter dito que se a CGTP fizesse um pedido formal para integrar estas reuniões o Governo estaria disponível, Tiago Oliveira defendeu que a CGTP não tem que "pedir por favor para reunir e para discutir os problemas dos trabalhadores".

"A mesma convocatória ou o mesmo método que a ministra utilizou para convocar as outras organizações que utilizasse para convocar a CGTP",apontou.

Com uma manifestação marcada para 17 de abril e questionado sobre se estariam a ponderar avançar com outra greve geral, o secretário-geral da CGTP vincou que "todas as formas de luta estão em cima da mesa" e que a central sindical não está disponível para "discutir retrocessos".

"Haverá um momento em que os trabalhadores se farão ouvir e irão responsabilizar os partidos na Assembleia da República pela posição que irão tomar relativamente ao pacote laboral", indicou.

As restrições ao 'outsourcing', o regresso do banco de horas individual, a duração do prazo dos contratos ou a reintegração dos trabalhadores em caso de despedimento ilícito, apontadas como 'linhas vermelhas' para a UGT, são algumas das alterações que ainda estarão no centro da discussão para se alcançar um eventual consenso e o documento atualmente em discussão não traz grandes aproximações nesses aspetos.

Segundo o documento a que a Lusa teve acesso, o Governo insiste no alargamento do prazo dos contratos a termo certo e incerto, na não reintegração de trabalhadores em caso de despedimento ilícito, bem como no regresso do banco de horas individual e na revogação do banco de horas grupal, ainda que faça alguns ajustes no 'outsourcing' e nos setores abrangidos por serviços mínimos em caso de greve. E, tal como nas versões anteriores, deixa cair a simplificação dos despedimentos por justa causa.

Este documento foi entregue há quase duas semanas à UGT e às quatro confederações empresariais: CIP, CCP, CTP e CAP.

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