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Mau tempo: Proteção Civil diz que não se justifica ativar mecanismo europeu

Lusa 02 de fevereiro de 2026 às 17:19
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O mecanismo não deverá ser ativado uma vez que "Portugal ainda não esgotou a sua capacidade" de resposta à tempestade Kristin.

O presidente da Proteção Civil disse esta segunda-feira que "não se justifica" pedir ajuda ao Mecanismo Europeu de Proteção Civil para responder às consequências da tempestade Kristin, sustentando que tem regras e não serve "para pedir telhas nem lonas".

Um comerciante retira do interior da sua loja artigos danificados pela inundação causada pela passagem da depressão Kristin, em Alcácer do Sal
Um comerciante retira do interior da sua loja artigos danificados pela inundação causada pela passagem da depressão Kristin, em Alcácer do Sal RUI MINDERICO/LUSA

Em declarações aos jornalistas, na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), José Manuel Moura considerou que "não se justifica, de todo", ativar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, uma vez que "Portugal ainda não esgotou a sua capacidade" de resposta à tempestade Kristin.

"O mecanismo tem regras de acionamento e equipamentos específicos que nós devemos ativar. Neste momento, todas as situações que foram solicitadas foram correspondidas. Não temos nenhum meio para dizer à União Europeia que precisamos desta tipologia ou daquela. Não seria para pedir telhas, não seria para pedir lonas, isso são materiais que o país naturalmente tem de ter capacidade de resolver", disse.

O presidente da ANEPC garantiu que Portugal "ainda não esgotou a sua capacidade" e está "muito longe disso", recordando que o país tem ao dispor mais de 30 mil bombeiros, além dos elementos das forças de segurança e militares.

"Não se justifica de todo o mecanismo para recrutar ou para solicitar ajuda em termos de pessoas para vir ajudar o país", disse, salientando que em relação às cheias não há "ainda nenhuma situação também a preocupar neste momento".

José Manuel Moura acrescentou que, ao longo desta semana, o país pode enfrentar um "problema significativo em termos de emergência" devido à "forte precipitação" prevista até domingo e esclareceu que "o mecanismo europeu pode ser ativado a qualquer momento".

"Não podemos ativá-lo por qualquer razão, para pedir um meio que pode estar ao nosso alcance e que não está esgotado naquilo que são as capacidades do país. O país não vai pedir telhas ao mecanismo europeu. Agora, nós temos é que ter a estrutura montada e preparada para que, a haver uma falência de um qualquer equipamento", se possa ativar, frisou.

Segundo o responsável, o mecanismo pode ser ativado caso nos próximos dias possam vir a ocorrer grandes cheias e o país não tenha as "bombas de grande débito ou de alta capacidade" suficientes.

José Manuel Moura salientou que o mecanismo europeu de proteção civil "de alguma forma já foi ativado através do Copernicus", o programa europeu de observação da Terra, que fornece imagens de satélite que ajudam na identificação zonas afetadas.

O presidente da ANEPC disse ainda que a resposta da Proteção Civil à depressão Kristin "foi ao mais alto nível", que acompanhou a situação "a par e passo" desde o dia 26 de janeiro, quando a formação da depressão foi sinalizada pelo IPMA.

Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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