É absolutamente necessário - mais, é verdadeiramente indispensável e vital - que a derrota de André Ventura nestas eleições seja esmagadora.
Tal como a generalidade da
população do país, estou convicto de que António José Seguro vai ser o próximo
Presidente da República de Portugal.
Até porque só ele está a concorrer
a esse cargo, uma vez que o seu oponente apenas pretende ser, como já se
auto-proclamou na noite da primeira volta destas eleições presidenciais, o
“líder da Direita”.
Muito provavelmente, essa bravata
deve ter provocado uma gargalhada em Pedro Passos Coelho, a quem, aliás, André
Ventura – numa clara postura de “menino Andrezito” perante o “paizinho”
- veio “fazer queixinhas” poucos dias depois, quando Paulo Portas
manifestou o seu apoio expresso a António José Seguro na segunda volta eleitoral.
O que claramente demonstra, para
quem pudesse ter dúvidas, como é patética e totalmente falsa e vazia de
conteúdo essa afirmação de Ventura proferida na noite de 18 para 19 de janeiro.
Mais uma mentira, portanto, como
tantas outras, saída da boca desse rufia sem vergonha que apenas sabe semear o
ódio e a intolerância, e mais não faz do que criar socialmente perigosas
divisões no seio da Comunidade nacional.
Líder das Direitas é Pedro Passos
Coelho que não quer, de todo, ser Presidente da República, e que continua firme
no seu caminho de criar para si próprio a imagem do D. Sebastião salvador do
País (e do PSD), enquanto aguarda que alguma multidão, em delírio e em romaria,
lhe bata à porta gritando “Volta Pedro! Vem guiar-nos, porque só tu nos
podes salvar!”.
E, com o verdadeiro descalabro que
tem sido a desgovernação de Luís Montenegro, que se acentuou com esta terrível
intempérie que nos assolou nestes últimos dias, e a falta de alternativas
mobilizadoras das várias Esquerdas, essa situação parece tornar-se cada vez
mais um futuro previsível e cada vez menos uma possibilidade longínqua.
Mas e voltando à segunda volta das
eleições presidenciais, aquela convicção de que a vitória de António José
Seguro constitui uma quase inevitabilidade, pode causar um aumento demasiado
grande do nível da abstenção.
E as horrivelmente nefastas
consequências das várias tempestades que ultimamente fustigaram o país irão acentuar
esse perigo.
Com as graves perdas que sofreram e
continuam a sofrer, votar não vai ser, seguramente, a principal preocupação dos
portugueses e das portuguesas neste momento.
Tudo isto quando é absolutamente
necessário - mais, é verdadeiramente indispensável e vital - que a derrota de
André Ventura nestas eleições seja esmagadora.
Porque, sem sombra de dúvida, esta
eleição presidencial, e muito particularmente esta segunda volta desse
escrutínio, constitui em Portugal um verdadeiro plebiscito à Democracia e ao
Estado de Direito.
Como já escrevi em anteriores
crónicas, dada a natureza egoísta (e tendencialmente irracional) de todos os
seres humanos - todos, todos, todos (e todas) - a nossa adesão individual a
projectos ou plataformas colaborativas colectivas está dependente da previsibilidade
– mais exactamente, da percepção dessa previsibilidade – de que com isso iremos
alcançar benefícios que, de outro modo (isto é, com a nossa actividade
solitária), nunca conseguiríamos obter.
Em suma, contribuímos para o
Colectivo porque antecipamos que iremos ganhar com essa contribuição.
E o que a História da Humanidade
demonstra inequivocamente é que as Sociedades organizadas segundo o modelo da
Democracia e do Estado de Direito são aquelas em que a saúde, a longevidade e o
bem-estar da generalidade dos membros da Comunidade atingem patamares mais
elevados.
E, apesar de todas as falhas desse
modelo de organização social e política, essa é uma verdade indesmentível.
Acontece, porém, que, nas últimas
décadas, por todo o Planeta, a qualidade dos serviços prestados pelos Estados
às suas respectivas comunidades tem sofrido uma sistemática e contínua
degradação.
Por todo o Mundo, o fosso entre os
ricos e os pobres tem-se acentuado de uma forma avassaladora. E Portugal não
escapou a essa tendência global.
E, naturalmente, isso tem
consequências.
De facto, pese embora sempre tenha existido
uma parte da população do país que tem uma visão racista, xenófoba, homofóbica
e globalmente intolerante (e fascista), essa gente constituía até ao
aparecimento do Chega uma irrelevante percentagem ultra-minoritária do todo
nacional, à qual o grosso da Comunidade não dava qualquer crédito ou
importância.
Contudo, a evidente e paulatina
destruição do Estado Social construído em Portugal após o 25 de abril de 1974
(e que nunca existiu nos tempos do Estado Novo) que se tem vindo a concretizar
nos últimos 24 anos, gerou uma insatisfação popular que, muito por culpa do
longo consulado de António Costa à frente da governação do país, acabou por
permitir o crescimento dessa força política.
Crescimento esse que, dada a actual
situação internacional, coloca em perigo a própria subsistência da Democracia e
do Estado de Direito.
De um ponto de vista racional, a
abjecta e verdadeiramente blasfema – sim, blasfema - utilização abusiva da
religião católica por parte de André Ventura e a miserável conduta do mesmo
procurando aproveitar, de um modo demagógico e eleitoralista grosseiramente
intolerável, os efeitos da calamidade que assolou o país e as falhas do Estado
(e não apenas do actual governo) no apoio às populações, como aliás já havia
feito da dita “época dos incêndios”, deveria levar os portugueses e as
portuguesas a escorraçá-lo a pontapés da vida política (e até pública) nacional.
Porém, não estou certo de que essa
criatura vil e sem escrúpulos acabe por ter o que realmente merece.
O que é profundamente perigoso
especialmente quando o país tanto precisa de encontrar as soluções certas para
os múltiplos e muito graves problemas que há tanto tempo nos afectam (e
prejudicam) a todos e a todas.
E soluções é coisa que Ventura não
tem, nunca teve e nunca terá.
O voto massivo em António José
Seguro, por si só, não resolverá todos esses problemas – que, repito, são muitos
e antigos e que não se devem única e exclusivamente ao patentemente
incompetente governo presidido por Luís Montenegro.
Mas impedirá que esses problemas se
agravem.
E, já nesta semana que antecede o
dia da segunda volta da eleição presidencial, em vez de propaganda eleitoral, o
que é indispensável é que António José Seguro comece a fazer o que Mário Soares
fez nas suas Presidências Abertas, ou seja, ir escutar as populações, perceber
e mostrar quais são os seus sofrimentos, mas também os seus desejos e
aspirações, instar os poderes públicos a agir, com prontidão e eficiência, para
minorar os efeitos da catástrofe, e preparar o caminho para a construção de
soluções perenes e duradouras.
Ou seja, para cortar cerce a
despudorada demagogia de outros (que não apenas de André Ventura) e fortalecer
a Democracia e o Estado de Direito.
E volto ao princípio deste texto,
ao ritmo das últimas estrofes do Hino Nacional:
Pela Democracia lutar!
Contra a abstenção, votar, votar.
Votar em António José Seguro.
Pela democracia lutar. Contra a abstenção, votar, votar
Ao contrário de Marine Le Pen, que assume uma postura cada vez mais gaulista, em coerência com a transformação da “Front Nacional” (Frente Nacional) herdada de seu pai em “Rassemblement Nacional”, Ventura continua a não criticar Trump.
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