Marcelo defende imigrantes. "Estranho será que não queiramos para os emigrantes dos outros o que queremos para os nossos"

Marcelo defende imigrantes. 'Estranho será que não queiramos para os emigrantes dos outros o que queremos para os nossos'
Ana Bela Ferreira 10 de junho
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Marcelo Rebelo de Sousa fez o discurso do 10 de Junho na Madeira. Presidente falou do aproveitamento dos fundos europeus a pensar no futuro, da proteção dos Oceanos, sem esquecer os emigrantes portugueses no mundo e os imigrantes que Portugal recebe.

"Viver este 10 de Junho de 2021 no Funchal, na Madeira, é uma experiência singular", começou assim o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, que lembrou quem chegou primeiro à Madeira em busca de uma vida melhor. "Nação que somos, o que somos por sermos universais. Terra feita de chegadas, enraízamentos, com gentes vindas de todos os mundos, cruzamentos de línguas, geografias, mas também terra de partidas, gente corajosa, esbravadora, resistente e disposta a todos os sacríficios", elogiou.

TIAGO PETINGA/LUSA
No discurso das cerimónias do Dia de Portugal houve também referência a António Guterres na presidência da ONU ou até a Cristiano Ronaldo, como exemplo dos madeirenses e do seu sucesso no mundo. 

"Portugueses, não serão a imensidades destes desafios que nos irão afastar do nosso futuro. É necessário fazer da conferência dos oceanos um marco nesse caminho que percorremos." Virado para o futuro e para a preservação do planeta, Marcelo deixou o apelo: "Este 10 de Junho convida-nos a sermos melhores neste desafio que o mundo exige, a Terra, esta terra exige mais de nós, que o não esqueçamos nos próximos anos, não nos limitando a remendar o tecido social ferido pela pandemia. Reconstruamos esse tecido a pensar em 2030, 2040, 2050."

Falando dos fundos europeus apelou: "É necessário ter nestes anos um apelo à convergência para aproveitar recursos, recriar espírito novo de futuro para todos, e não uma chuva de benesses para alguns, que se veja com olhos de interesse coletivo e não com olhos de egoísmos pessoais ou de grupo".

"Este 10 de Junho interpela-nos a não desperdiçarmos o acicato dos fundos que nos podem ajudar evitando deles fazer, em pequeno e por curtos anos, o que fizemos tantas vezes na nossa História, com o ouro, com as especiarias, com a prata, mais perto de nós com alguns dos dinheiros comunitários, sendo uma terra de passagem para outros destinos ou porto de abrigo para muitos poucos de nós", reforçou.

No Dia de Portugal, Marcelo não esqueceu os emigrantes portugueses pelo mundo e também aqueles que procuram Portugal para acolhimento. "A Terra, esta Terra chama-nos também à razão, perante alguns dos nossos imigrantes que para fugir dos seus países, nos procuram. Nunca nos esqueçamos disto: Somos uma Pátria de emigrantes e, por isso, estranho será que, além de não fazemos mais pelos nossos emigrantes, não queiramos para os emigrantes dos outros o que queremos para os nossos." Marcelo lembrou que os imigrantes nos ajudam com a natalidade "que não temos" e que durante a pandemia foram "essenciais" para que setores como "a construção civil" não parassem.

"Não nos esqueçamos de agradecer aos irmãos de nacionalidade que por esse mundo fora criam portugais e aos irmãos de humanidade que criam Portugal."

As celebrações são presididas pela médica do Hospital Dr. Nélio Mendonça, Carmo Caldeira. Uma escolha de Marcelo Rebelo de Sousa para homenagear os profissionais de saúde, no segundo ano da pandemia. Foi a primeira discursar, antes do Presidente da República, e falou da sua infância, do convívio com pessoas menos favorecidas. Recordou a primeira pandemia que enfrentou como médica - o VIH/Sida - e sublinhou "não sabemos o que ainda aí vem". "Em representação do pessoal da saúde, sinto-me lisonjeada por representar aqueles que o senhor Presidente da República considera terem agido com voluntarismo ilimitado" durante a pandemia.

Nas cerimónias foram ainda condecorados com a Ordem de Cristo os Estados-Maiores dos três ramos das Forças Armadas.
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