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Habitação: Casa para Viver vai entregar carta aberta em Belém

A plataforma que defende o direito à habitação quer que o problema da habitação seja uma das causas do Presidente da República e que seja encarada como "emergência nacional".

A plataforma Casa para Viver entrega na segunda-feira um documento no Palácio de Belém com reivindicações em matéria de habitação e vai apelar ao Presidente da República para que encare o problema como "uma emergência nacional".

Museu da Presidencia da República, no Palácio de Belem
Museu da Presidencia da República, no Palácio de Belem

"Fazemos questão de entregar, em primeira mão, uma carta aberta ao senhor Presidente da República porque o problema da habitação configura-se como uma emergência nacional, a uma escala tão grande como o problema da saúde", disse à Lusa André Escoval, do movimento Porta a Porta.

Para este responsável, a habitação "precisa de ser uma das causas desta Presidência da República e tem de ser agarrada desde já".

A plataforma Casa para Viver - que reúne dezenas de associações e coletivos em defesa do direito à habitação - convocou para dia 21 um conjunto de manifestações em 14 cidades do país para exigir soluções para a crise habitacional.

André Escoval considerou que as novas medidas anunciadas na quinta-feira pelo Governo, como a aceleração dos despejos, "vão agravar um problema brutal a nível nacional que é as pessoas deixarem de ter um teto".

"Entendemos que o Presidente da República precisa claramente de dizer o que pensa perante o problema que vivemos na habitação, e também se entende que é preciso romper com o conjunto das políticas que nos trouxeram até aqui", disse ainda.

Na carta aberta a entregar em Belém, a plataforma defende quatro questões essenciais para o cumprimento do direito à habitação previsto no artigo 65º da Constituição da República Portuguesa.

Assim, a plataforma defende a regulação do preço das rendas, o congelamento do valor das prestações do crédito à habitação a valores de fevereiro de 2026 (antes de uma eventual subida das taxas de juro por causa da situação internacional), a duração mínima dos contratos de arrendamento igual ou superior a dez anos e, ainda, o veto presidencial a "uma eventual mexida na lei dos despejos, porque não é com mais despejos que o problema se resolve".

"Não podemos continuar a ter as famílias portuguesas sufocadas por dois motivos: o preço da renda e o fim do contrato de arrendamento, porque hoje em dia os contratos que se praticam têm a duração de um ano ou menos", esclareceu o ativista.

André Escoval apelou ainda ao Presidente da República para que, perante as novas medidas do Governo, "diga claramente de que lado é que se posiciona".

"Ano após ano, os despejos aumentam. Se vamos para uma alteração legislativa que levará pessoas em massa para a rua pela via do despejo, então, o que nós estamos a fazer é a agravar o problema", segundo afirmou.

Para a entrega do documento em Belém, estarão presentes os movimentos Porta a Porta, Vida Justa, Primeiro Esquerdo, Projeto Ruído, Interjovem, Associação dos Inquilinos Lisbonenses, Associação do Património e da População de Alfama, entre outros.

No próximo sábado, estão confirmadas manifestações em 14 cidades do país: Lisboa, Porto, Portalegre, Barreiro, Lagos, Covilhã, Funchal, Braga, Coimbra, Aveiro, Viseu, Leiria, Vila Nova de Santo André e Benavente.

O manifesto "Já não dá! Voltamos à rua por Casa para Viver!" já foi subscrito por cerca de uma centena de organizações.

O Conselho de Ministros de quinta-feira aprovou um conjunto de alterações às leis do arrendamento com vista a contornar o impasse na resolução de heranças indivisas e a tornar mais céleres os despejos.

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