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EMEL quer retirar parquímetros de Lisboa e tornar pagamento digital mas situação dos idosos preocupa

Gabriela Ângelo
Gabriela Ângelo 15 de abril de 2026 às 22:21
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O pagamento digital tem sido uma tendência em crescimento e em 2025 cerca de 74% dos pagamentos foram feitos por esta via. Contudo, a transição para um método exclusivamente digital pode excluir utilizadores idosos e que pode não conseguir adaptar-se às novas tecnologias.

Se estaciona em Lisboa tenha atenção, a Empresa de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) quer retirar os parquímetros da capital, substituindo o sistema de pagamento por um método totalmente digital, através da sua aplicação móvel. 

Parquímetro da EMEL em Lisboa
Parquímetro da EMEL em Lisboa DR

A mudança foi noticiada esta quarta-feira pelo jornal e nota que a empresa irá realizar um projeto-piloto numa zona da cidade, ainda não definida, para testar a proposta antes da sua implementação. Contudo, o desaparecimento de parquímetros já se tem vindo a verificar desde 2024 com a EMEL a retirar 225 máquinas da capital.

Neste projeto-piloto pretende-se então “avaliar se a ausência de parquímetros físicos melhora a experiência dos utilizadores, beneficia a operação e reduz custos, libertando meios financeiros para investimentos em áreas prioritárias”, segundo descreve o da EMEL para o triénio 2026-2029. 

O objetivo a longo prazo será substituir o pagamento do parquímetro em moedas, que se manteve durante mais de três décadas, pelo pagamento através da aplicação móvel da EMEL. Solidifica-se então uma tendência que tem vindo a crescer. Em 2025 cerca de 74% dos pagamentos foram feitos por via digital, um aumento face aos 52% registados em 2021. 

Esta medida permite ainda reduzir os custos de colocação e manutenção dos 3816 parquímetros espalhados pela capital e que são alvo de atos de vandalismo e falhas operacionais. Desde 2020 foram registados 3400 atos de vandalismo às máquinas, impactando diretamente o seu funcionamento; em média cada parquímetro regista oito falhas por ano. 

Desta forma, Lisboa alinha-se a outras cidades europeias que já incorporaram este método de pagamento de estacionamento exclusivamente eletrónico. 

Preocupações com os utilizadores mais idosos

À SÁBADO Paulo Lopes, um dos membros fundadores da Associação de Moradores das Avenidas Novas de Lisboa, uma das zonas mais caras para estacionar e a primeira a receber parquímetros ainda na década de 90, refere que, apesar de ser uma iniciativa positiva, é preciso perceber a forma como o projeto irá afetar a população mais idosa .

“Os moradores na casa dos 70 anos são capazes de ter dificuldades e a população idosa pode vir a ser prejudicada por não ter o ticket para pôr no carro”, explica, questionando que tipo de estratégia pode vir a ser implementada pela EMEL para esta população. “Talvez passe por manter os parquímetros mas com uma taxa diferente”, refere, de modo a desincentivar o seu uso. 

Paulo Lopes nota ainda a questão da sinalização, uma vez que mal explicada e mal sinalizada, a ausência dos parquímetros poderá levar a que “as pessoas sejam multadas pensando que não pagam”. 

“As Avenidas Novas têm uma camada de população idosa muito grande, vejo muita gente nas máquinas dos parquímetros e vejo muitos tickets”, acrescenta, reforçando a preocupação com os 26% que não utilizam a aplicação móvel para pagar o estacionamento na capital. “É importante perceber [dos 26%] quantos se vão adaptar e, mesmo que seja uma pequena percentagem, não devem ser excluídos ou prejudicados”, afirma. 

Apesar das preocupações, Paulo Lopes defende que é uma “ideia positiva”. “Vemos cada vez mais pessoas a pagar com o telemóvel no supermercado, estão a adaptar-se bem às tecnologias, ao porta moedas eletrónico”, afirma. Contudo, reconhece que para as pessoas que não conseguirem adaptar-se, “estas alterações vão trazer problemas”.

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