Economistas não recebem dados sobre o emprego há quatro anos

Economistas não recebem dados sobre o emprego há quatro anos
Bruno Faria Lopes 28 de abril de 2018

Especialistas da área do trabalho enfrentam uma seca de dados referentes ao mercado laboral. A culpa é do ministério da Segurança Social.

A crise teve mesmo impacto no fosso salarial entre homens e mulheres? Quais são as áreas de formação com maior retorno? As profissões com melhores salários mudaram? Quem regressa ao mercado depois da crise ganha menos do que antes? E o que concluem os especialistas estatais sobre o impacto do salário mínimo e a evolução salarial é verdade única ou admite contraditório?

Os economistas da área do trabalho querem responder a estas e a outras perguntas, mas não podem. Apesar de vários pedidos ao ministério da Segurança Social, as instituições académicas com investigação na área não têm acesso há anos aos dados desagregados dos Quadros de Pessoal, uma base de dados gigantesca com informação sobre os cerca de 2,6 milhões de trabalhadores por conta de outrem no privado. Os investigadores universitários têm dados só até 2012, os do Banco de Portugal até 2013.

"É um absurdo: desde 2013 que o comportamento do mercado de trabalho apanhou toda a gente de surpresa e da principal base de dados só temos informação até 2012", afirma Luís Aguiar-Conraria, da Universidade do Minho. Anabela Carneiro, da Faculdade de Economia do Porto, confirma que os dados "foram pedidos várias vezes", que a resposta é que o pedido "é tido em consideração", mas só isso. "Estamos à espera", diz.

Numa área politicamente sensível como o emprego, a disponibilização destes dados começou a sofrer atrasos grandes no anterior governo, quando a conjuntura económica era muito má. A tutela actual, em funções há dois anos e três meses, prolongou essa prática já com uma recuperação forte do emprego, marcada no entanto por estagnação salarial e aumento da precariedade.

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