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Debate Presidencial a oito: intrigas, desistências e Justiça em destaque

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Num debate em que os candidatos à direita estiveram em maior destaque, Marques Mendes foi o grande alvo.

Marques Mendes foi dos mais atacados, Cotrim Figueiredo e Ventura dos que mais se impuseram, e os candidatos à esquerda estiveram mais na sombra. Aconteceu esta sexta-feira o debate entre os oito principais candidatos à Presidência da República em que a maioria afastou um cenário de dissolução imediata do parlamento em caso de chumbo do Orçamento do Estado.

Candidatos participam num debate nas presidenciais da rádio
Candidatos participam num debate nas presidenciais da rádio MARCOS BORGA/LUSA

Transmitido em simultâneo nas rádios Antena 1, Renascença, TSF e Observador, um dos temas quentes do debate foi o das desistência. Atualmente existem 11 candidatos confirmados à Presidência, mas pairou sobre o debate a hipótese de haver desistências até ao dia 18 de janeiro, quando os cidadãos serão chamados a decidir quem será o próximo Presidente. Jorge Pinto, apoiado pelo Livre, respondeu que vai "estar na corrida", mas de forma pouco convincente enquanto Catarina Martins, apoiada pelo BE, considerou a pergunta insultuosa e assegurou que não vai desistir, assim como António Filipe, que tem apoios do PCP e do PEV. André Ventura alegou mesmo que os candidatos à esquerda "já chegaram a um acordo, mas não querem dizer",

Quanto a uma eventual crise orçamental, António José Seguro, António Filipe, Catarina Martins, Gouveia e Melo e Jorge Pinto criticaram a atuação do atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que avisou previamente que o chumbo do Orçamento do Estado para 2022 levaria a uma dissolução, que acabou por decretar. Para estes candidatos, um chumbo do Orçamento não implica necessariamente a dissolução da Assembleia da República, e pode haver um segundo Orçamento. Gouveia e Melo ressalvou, porém, que "tem de haver um julgamento político" na altura para avaliar ganhos e perdas "em termos da estabilidade".

Luís Marques Mendes, candidato apoiado pelo PSD, concordou que "o chumbo de um Orçamento não deve dar necessariamente lugar a uma dissolução", mas defendeu que um Governo nessa circunstância "fica politicamente fragilizado", defendendo que o Presidente deve ser "um árbitro que atua previamente" e, perante um chumbo, decidir "caso a caso".

De seguida, os candidatos foram questionados se o Presidente da República deve intervir junto do procurador-geral da República em casos como o das escutas que envolveram o anterior primeiro-ministro, António Costa. Em geral, rejeitaram uma intervenção direta sobre um caso concreto, mas houve críticas ao funcionamento da justiça.

Foram ainda interrogados sobre a necessidade ou não de se sensibilizar o poder legislativo a clarificar a hierarquia do Ministério Público, pergunta a que Cotrim Figueiredo respondeu "sim, dez vezes sim".

Jorge Pinto concordou e disse estar "muito farto" que apareçam, "a dias das eleições, notícias mais ou menos filtradas pelo Ministério Público sobre uma qualquer investigação relacionada com um dos intervenientes políticos que vai a votos".

Marques Mendes retomou a ideia de uma reforma da justiça "muito para além do Ministério Público", ideia criticada por André Ventura, que acusou o PSD de inação neste setor e associou o PS a tentativas de condicionamento da justiça, considerando que o Presidente "se tiver que em alguns casos chamar a atenção concretamente e proteger as instituições, deve fazê-lo".

Gouveia e Melo exigiu respeito pelo segredo de justiça e que se evite "entrar num período em que a justiça condiciona de alguma forma o poder político".

Seguro prometeu chamar a Belém o procurador-geral da República para o ouvir, mas frisou que nunca interferirá em processos judiciais. Catarina Martins e António Filipe realçaram a questão dos meios, com a ex-coordenadora do BE a alertar também para o problema da violência contra as mulheres.

Com Lusa

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