Assim se vê a força do PCP

Assim se vê a força do PCP
Octávio Lousada Oliveira 04 de dezembro de 2016

Centralismo democrático ou voto de braço no ar são bizarrias quando vistas de fora, mas garantem que o partido se mantém fiel à sua história

Vem nos livros: o silêncio é também uma forma de comunicação e a sua gestão - por vezes, mais do que a da palavra - é uma das singularidades do PCP. Os seus dirigentes e deputados falam quando o colectivo quer, com quem o colectivo entende - e passando quase sempre pelo crivo dos assessores de imprensa. Mas vamos por partes. O que é que diferencia, afinal, o PCP dos restantes partidos? Na antecâmara do XX Congresso, convocado para este fim-de-semana, em Almada, olhamos para as marcas distintivas da força fundada em 1921, a mais antiga do País, que apoia pela primeira vez um governo do PS.

1. O discurso ortodoxo
A apologia de uma política patriótica e de esquerda é daqueles chavões que qualquer comunista que se preze tem na ponta da língua. Mas há mais, muitos mais. Apesar disso, as principais figuras do PCP quase arrancam os cabelos quando os acusam de terem o disco riscado, de não mudarem de cassete ou de estarem perdidos num discurso que terá deixado de fazer sentido com a queda do Muro de Berlim.

Ser comunista é fazer da resistência à linguagem simplista uma forma de vida, é deixar para os outros o monopólio dos soundbites - mesmo que Jerónimo de Sousa e João Oliveira não poupem nos ditados populares. Na sede do partido, dizem recorrentemente, tem de prevalecer o conteúdo e não a forma, a profundidade e não a eficácia da comunicação. Só isso poderá justificar a aversão às redes sociais. Exemplo? O PCP não tem conta oficial no Facebook e não está presente no Twitter. No YouTube, sim, administra um canal desde Julho de 2007.

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