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Presidenciais: Emigrantes na Califórnia pagam deslocações para poderem votar na segunda volta

A votação presencial no consulado pode ser feita a 07 e 08 de fevereiro.

Vários emigrantes portugueses na Califórnia vão pagar deslocações significativas para poderem votar na segunda volta das eleições presidenciais, algo que só pode ser feito presencialmente no Consulado de Portugal em São Francisco.

Urnas abertas para votação em dia de eleições
Urnas abertas para votação em dia de eleições Carlos Barroso/Medialivre

É o caso de Nelson Gama e Sandra Garcês, que residem em Los Angeles e vão deslocar-se de carro até ao consulado. A viagem de ida e volta ronda os 1.200 quilómetros. 

“Votar é muito mais do que um direito”, disse à Lusa Nelson Gama, salientando que se trata de um dever cívico essencial. “Para quem vive no estrangeiro, exercer este dever implica gastar dinheiro do próprio bolso e normalmente perder horas, ou dias, de trabalho e de lazer”, salientou, considerando que “é difícil aceitar que para tantos portugueses votar seja um sacrifício quase absurdo”.

Gama sublinhou que “cada voto assume uma maior relevância” numa altura em que a democracia dá sinais de fragilidade e discursos populistas são normalizados.

“Com uma diáspora tão grande e tão ligada a Portugal, está mais do que na altura de criar condições que garantam a sua participação”, apelou. 

A Califórnia é o estado que tem a maior comunidade de origem portuguesa, mais de 350 mil pessoas, e o consulado de São Francisco serve toda a Costa Oeste. Isso significa que os emigrantes recenseados na região têm de ir votar presencialmente a São Francisco, cuja jurisdição abrange 13 estados. 

“Muitos portugueses fora do país acompanham a política nacional com uma atenção e uma preocupação que, infelizmente, nem sempre se vê entre quem vive no país”, disse Nelson Gama, lamentando: “Continuar a dificultar o voto dessa comunidade é desperdiçar uma voz ativa, informada e profundamente comprometida com o futuro do país”. 

Também Filipe Nogueira e Ana Rocha irão deslocar-se a São Francisco para votar, mas vão de avião. “Dado os dois candidatos, queremos mostrar a nossa perspetiva de oposição ao Ventura”, disse à Lusa Filipe Nogueira, que até aqui só tinha votado por correspondência. 

Mas essa opção não está disponível para os emigrantes nas eleições presidenciais, o que tem resultado em níveis de abstenção muito elevados. Foi de 95,91% na primeira volta, a 18 de janeiro. 

André Ventura, candidato do Chega, foi o mais votado pelos emigrantes (40,93%), enquanto António José Seguro, candidato apoiado pelo Partido Socialista, recolheu 23,69% dos votos.

“Seria ideal termos uma contagem mais representativa do que efetivamente é a população portuguesa aqui e uma solução de votação em pessoa, mas entendo a complicação em termos financeiros”, salientou Filipe Nogueira, afirmando entender que seja “impossível” ter votação presencial em todo o lado onde haja portugueses.

“Alternativamente, acho que haveria opções digitais seguras que poderiam ser disponibilizadas”, considerou.

Já na perspetiva de Ana Rocha, “voto por correio seria a única solução”. 

No caso de Nelson Abreu, o emigrante vai apanhar um voo de manhã para São Francisco, votar e regressar a casa ao final do dia. Considerou “ridículo” que os emigrantes tenham de custear a deslocação, cujo preço ascende a centenas de euros. 

“Não há boa justificação. É simplesmente inadmissível”, disse Abreu, que assinou uma petição pública para dar aos emigrantes mais opções de voto nas presidenciais. 

“Não há motivação forte porque não sofrem prejuízo ao tratarem-nos desta forma”, considerou. “Somos muitos, mas no grande panorama não temos tanta força”. 

A final da Super Bowl, que acontece em São Francisco no domingo, encareceu os bilhetes, com as viagens de ida e volta a rondarem os 500 dólares (423 euros). Nelson Abreu vai usar créditos que tem com uma companhia aérea, mas terá de desembolsar o custo dos transportes de e para o aeroporto, além de refeições.  

“Apesar das barreiras e custos, é importante dar a nossa voz pela moderação, porque estamos a ver aqui nos EUA o que acontece quando se cede poder ao extremismo”, justificou.

A votação presencial no consulado pode ser feita a 07 e 08 de fevereiro.

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