Ventura: "Tive a sensação que tinha sido envenenado"
Em entrevista à CNN, o presidente do Chega falou sobre a campanha eleitoral, marcada pelos dois episódios de refluxo esofágico, sobre como o seu partido terá ultrapassado o PS e no que consiste o "governo alternativo" que diz querer criar.
O presidente do Chega, André Ventura, deu esta quarta-feira uma entrevista à CNN Portugal - a primeira desde que foram conhecidos os resultados daseleições legislativas de 18 de maio. Falou sobre o seu estado de saúde, no que consistirá o "Governo alternativo" que diz querer criar e insistiu, mais uma vez, na possibilidade do seu partido se ter tornado na segunda força política, quando ainda falta conhecer os votos dos círculos da emigração.
"As eleições mudaram completamente o panorama político em Portugal", começou por dizer André Ventura. "Todos os dados indicam que o Chega vencerá um dos círculos [da emigração]."
Para André Ventura só há uma forma de explicar o facto de o Chega poder ter ultrapassado o Partido Socialista nas eleições deste ano. Defende que foi por Pedro Nuno Santos ter "dado a mão" ao governo da AD. Por isso, assume-se agora como líder da oposição "ao bloco central".
"O Governo decidiu amanhar-se com o PS durante toda a vida. Porque é que agora não se amanha com o PS outra vez?", questionou.
Durante a entrevista, o político fez ainda questão de explicar o significado de "governo alternativo", que diz querer criar. "É o que pretendo apresentar nas próximas semanas: um governo sombra que fiscaliza a atividade do Governo nas várias áreas". E para isso, diz que irá contar com a ajuda de "pessoas da sociedade civil com valor e que tenham um currículo na área da saúde, habitação..."
Quando questionado com a revisão constitucional que a Iniciativa Liberal propôs fazer, disse apenas: "É evidente que se o PSD estiver de acordo que temos de reduzir o número de deputados na Assembleia da República, estamos de acordo. Se o PSD estiver de acordo em que temos de fazer uma reforma da Justiça, para que casos como o de José Sócrates não se continuem a prolongar com recursos infindáveis, nós estamos de acordo."
Já no que toca à campanha eleitoral, que ficou marcada pelos dois episódios de refluxo esofágico, disse que na primeira vez teve a sensação que foi envenenado. "Houve uma coincidência infeliz, de facto, que foi eu ter bebido água e ter sentido uma enorme sensação de queimadura interna. E sim, naquele momento em que caí, perdi o controlo de mim próprio, tive a sensação que tinha sido envenenado. Não fui, segundo tudo indica, mas tive essa sensação."
E ainda assim, disse que viu comentadores a "gozar" com o seu estado de saúde. "Vi coisas em canais, desde humilhar o meu estado de saúde, desde gozar com o meu estado de saúde, até à desvalorização pessoal e humilhação pessoal."
E falou ainda sobre a forma como foi abordado pela comunidade cigana durante a campanha eleitoral. "No primeiro e segundo dia de campanha, levei com cuspidelas de ciganos, com morteiros, que me passaram a centímetros de onde eu estava, com ofensas e ataques, provocações, tentativas e ofensas, ameaças à minha vida em várias mensagens. Houve ciganos a dizer: 'Pela saúde dos meus filhos, hei de matar-te'."
Apesar disso, deixou claro que ainda não apresentou queixa, mas que está "a juntar os elementos todos". Entretanto, as autoridades já estarão ao corrente da situação, avança.