Moedas passa negócio das luzes de Natal para ex-chefe de gabinete
A autarquia propõe que o negócio das luzes de Natal - que levou a buscas na Câmara em março - passe para a Associação Turismo de Lisboa. Verba para contratação é de 750 mil euros.
O executivo liderado por Carlos Moedas vai propor que as instalação de luzes de Natal na cidade de Lisboa em 2026 passem para a Associação Turismo de Lisboa, liderada atualmente por António Valle, ex-chefe de gabinete do autarca social-democrata. O negócio das luzes de Natal motivou buscas na autarquia em março deste ano, tendo a Câmara Municipal de Lisboa ordenado a "abertura de um inquérito" interno. Em causa estão suspeitas de crimes de corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio, abuso de poder e associação criminosa.
A proposta vai ser discutida esta quarta-feira, 6 de maio, na reunião da Câmara Municipal. Na proposta que será apresentada e à qual a SÁBADO teve acesso, o executivo pretende que o financiamento o projeto instalação das iluminações de Natal na cidade de Lisboa passe para a ATL via Fundo de Desenvolvimento Turístico de Lisboa e que esta associação receba uma verba de 750 mil euros para levar a cabo a contratação de luzes de Natal. A ATL é presidida por Carlos Moedas e António Valle é o diretor-geral da associação.
Na proposta, assinada por Gonçalo Reis e Diogo Moura (respetivamente, vice-presidente da Câmara Municipal e vereador com os pelouros da cultura, economia e turismo) escreve-se que as luzes de Natal "têm sido um dos pontos altos de estímulo ao comércio de Lisboa" e que "contribui para a diversificação e enriquecimento das experiências oferecidas ao elevado número de turistas que todos os anos"-
Já sobre a ATL, escreve-se que é uma "entidade privada sem fins lucrativos que tem como finalidade principal a promoção e o desenvolvimento turístico sustentado da Região de Lisboa". Foi a própria ATL que apresentou uma candidatura ao Comité de Investimento que gere o Fundo de Desenvolvimento Turístico de Lisboa.
A Operação Lumen, que investiga os negócios de compra de luzes de Natal à empresa Castros, levou a cabo buscas em pelo menos 10 câmaras municipais e investigam-se crimes de corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio, abuso de poder e associação criminosa, relacionados com o fornecimento e instalação de iluminações de Natal.
Em 2023, a SÁBADO escreveu sobre esta empresa, nomeadamente uma insólita adjudicação na câmara da Trofa (uma das autarquias agora visadas nas buscas), na altura liderada por Sérgio Humberto (hoje eurodeputado pela AD) Segundo o artigo, estavam a ser montadas iluminações de Natal em várias freguesias da Trofa, mas ainda estava a decorrer o concurso público.
O secretário-geral da Câmara Municipal de Lisboa, Alberto Laplaine Guimarães, foi um dos quatro detidos na operação "Lúmen", bem como a presidente da UACS, Carla Salsinha, e ainda um administrador e um funcionário da empresa Castros Iluminações Festivas, que também foi alvo de buscas.