Família de vítima do Elevador da Glória pede 1 milhão de euros à Carris
Ação já entrou no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa
A família de uma mulher que morreu no acidente do Elevador da Glória, em setembro do ano passado, apresentou uma ação no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa a exigir uma indemnização de pouco mais de 1 milhão de euros à Carris, à seguradora Fidelidade e à empresa que assegurava a manutenção daquele equipamento, avança esta quarta-feira o jornal Público.
Segundo aquela publicação, o marido e a filha de Ana Paula, de 49 anos, que trabalhava na Santa Casa de Lisboa, pedem para ser compensados pela perda da vida da familiar, pelos danos morais e pelos salários que a família deixou de receber devido à morte prematura da mulher.
Recorde-se que o descarrilamento do Elevador da Glória, a 3 de setembro do ano passado, causou 16 vítimas mortais e 22 feridos. Na última sexta-feira a Polícia Judiciária de Lisboa realizou buscas domiciliárias a responsáveis da Carris e da empresa de manutenção do Elevador da Glória relacionadas com a investigação em torno do acidente. Tratou-se de uma diligência para recolha de provas, liderada pelo procurador Joaquim Morgado, responsável pelo processo crime que decorre no DIAP de Lisboa, e que envolveu cerca de duas dezenas de inspetores.
As conclusões de um relatório intercalar do GPIAAF (o gabinete que investiga acidentes ferroviários) apontam para um cabo de tração diferente ao previsto, e pelo menos parcialmente não conforme com as especificações; roturas progressivas dos pequenos cabos que formam o cabo de tração; e falta de controlo da manutenção.
O cabo que unia as duas cabinas do elevador da Glória e que cedeu no seu ponto de fixação da carruagem que descarrilou não respeitava as especificações da Carris, nem estava certificado para uso em transporte de pessoas.