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António Filipe condena ataque à Venezuela e "sequestro" de Maduro

Lusa 03 de janeiro de 2026 às 14:43

Candidato às presidenciais fala em "brutal violação do direito internacional"

O candidato à Presidência da República António Filipe condenou este sábado com toda a veemência" a "brutal violação" do direito internacional que foi o ataque à Venezuela pelos EUA e "o sequestro" do presidente Nicolás Maduro.
António Filipe defende cumprimento da Constituição, referindo direitos a serem cumpridos ANTÓNIO COTRIM/LUSA
"Eu quero condenar com toda a veemência esta brutal violação do direito internacional, que é o ataque à Venezuela, à soberania e ao povo da Venezuela e o sequestro do seu presidente e da sua esposa", afirmou António Filipe, à entrada de um almoço com apoiantes na Amadora, distrito de Lisboa. O candidato presidencial apoiado pelo PCP e pelo PEV reagia assim à intervenção militar realizada hoje pelos Estados Unidos da América (EUA) na Venezuela. O presidente norte-americano, Donald Trump, já anunciou um "ataque em grande escala" na Venezuela para a captura do chefe do Estado venezuelano, Nicolás Maduro, que foi retirado à força do país. "E, portanto, eu creio que há uma obrigação de quem tenha um mínimo de respeito pelo direito internacional e pela soberania dos povos de condenar sem quaisquer equívocos esta brutal violação do direito internacional e exigir que a legalidade internacional seja reposta", realçou António Filipe. O candidato lembrou ainda que a Venezuela é um país que tem uma comunidade portuguesa com centenas de milhares de cidadãos, pelo que defendeu que "as autoridades portuguesas têm de fazer tudo para garantir a segurança e a tranquilidade desta comunidade e, no plano internacional em todas as instâncias em que participem, condenar sem reservas esta violação de direito internacional e exigir, claramente e urgentemente, a reposição da legalidade internacional". O ex-deputado comunista reforçou que a intervenção militar americana é uma "grosseiríssima violação de direito internacional" e "é absolutamente inaceitável".
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"Porque aqui, obviamente, o que está em causa é a apropriação, por parte dos Estados Unidos, dos recursos designadamente petrolíferos da Venezuela. Independentemente de quaisquer outros pretextos que a administração Trump possa inventar, é exatamente isso que está em causa, deitar a mão aos recursos prolíferos e minerais da Venezuela, que como se sabe são riquíssimos. Aliás, Donald Trump não faz segredo relativamente ao seu desejo de se apropriar desses recursos", sustentou. Questionado sobre se Portugal deveria assumir uma posição pública de condenação da intervenção norte-americana respondeu: "Isso é uma evidência". "E, portanto, isso deve ser assumido por todos os responsáveis políticos e creio que o Governo português, os órgãos de soberania portugueses devem ter uma voz clara e contundente sobre isto, porque quem tem o mínimo de respeito pelo direito internacional não pode deixar de condenar esta agressão", referiu. Na sua opinião, "não fica pedra sobre pedra do direito internacional quando se olhar para uma situação destas e não haver uma reação muito veemente e contundente de defesa do direito internacional e dos valores que devem reger as relações entre os povos". À pergunta se esta situação lhe toca particularmente por ser um país da sua cor política (embora a Venezuela não seja um país comunista), António Filipe afirmou que a sua "cor política é Portugal". "Eu não tenho é dois pesos e duas medidas. Eu, assim como defendo a paz na Ucrânia, assim como condeno veementemente o genocídio em curso do povo da Palestina e também creio que é preciso encontrar uma solução de paz e de respeito pelos direitos nacionais do povo palestiniano, respeito a soberania da Venezuela", sublinhou. A procuradora-geral norte-americana, Pam Bondi, indicou que Nicolás Maduro e a mulher, Cilia Flores, alegadamente retirados à força da Venezuela e detidos por forças norte-americanas, "enfrentarão em breve a Justiça americana em solo americano e em tribunais americanos".
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